No Egito, Netanyahu pede ação de moderados contra Irã

Em sua primeira visita a um país árabe desde que assumiu o governo israelense, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu defendeu hoje no Egito uma coalizão de "moderados" capaz de conter a influência iraniana no Oriente Médio. Segundo o direitista israelense, cuja eleição foi vista com preocupação no mundo islâmico, "a luta na região não é entre povos e religiões, mas entre aqueles que buscam a vida e os que buscam a morte e a violência".

AE-AP, Agencia Estado

11 de maio de 2009 | 20h31

O presidente egípcio, Hosni Mubarak, preferiu não mencionar o Irã e exortou Israel a aceitar a criação de um Estado palestino. "É importante que as negociações sejam reiniciadas tendo por base um horizonte político claro. É preciso uma solução definitiva, que estabeleça um Estado palestino independente vivendo lado a lado com Israel em paz e segurança", declarou Mubarak, no balneário egípcio de Sharm el-Sheikh.

Eleito em março, Netanyahu até agora evitou utilizar o termo "Estado" ao se referir à questão palestina e hoje se limitou a afirmar que pretende retomar os contatos com a Autoridade Nacional Palestina (ANP) "o quanto antes, já nas próximas semanas". "Queremos expandir a paz e levá-la, primordialmente, aos nossos vizinhos, os palestinos", disse Netanyahu, durante o encontro.

Defensor de uma "paz econômica" com a ANP, calcada exclusivamente no desenvolvimento da economia, Netanyahu tenta desde que assumiu o gabinete levar as atenções da questão palestina para a ameaça iraniana. Estados Unidos e Israel afirmam que o Irã desenvolve um programa nuclear com fins militares, acusação negada por Teerã. "Hoje, para nosso arrependimento, somos testemunhas de forças extremistas que ameaçam a estabilidade do Oriente Médio."

Referindo-se diretamente a Mubarak, o primeiro-ministro israelense foi enfático: "Nós esperamos, senhor presidente, sua ajuda na luta contra fundamentalistas e terroristas que ameaçam a paz". No entanto, o líder egípcio não fez referência ao país persa em seu discurso. Embora mantenham discrição, países sunitas como o Egito, a Arábia Saudita e a Jordânia temem a crescente influência de Teerã na região.

Conselho de Segurança

Também hoje, o Conselho de Segurança (CS) da Organização das Nações Unidas (ONU) pediu "esforços urgentes" para a criação de um Estado palestino independente de Israel e uma resolução para os demais conflitos no Oriente Médio. Praticamente todos os representantes da reunião alertaram para novos episódios de violência na região, caso os esforços de paz entre palestinos e israelenses e entre Israel e a Síria fracassem.

Netanyahu deve ir a Washington, nos EUA, na próxima semana para seu primeiro encontro com o presidente Barack Obama. Na semana passada, o presidente israelense, Shimon Peres, encontrou-se com o mandatário norte-americano.

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