Ina Fassbender / AFP
Ina Fassbender / AFP

No encerramento da campanha, Merkel faz último apelo para candidato da CDU 

Armin Laschet e o candidato social-democrata, Olaf Scholz, estão muito próximos nas pesquisas de intenção de voto, o que torna o resultado das legislativas de domingo imprevisível  

Redação, O Estado de S.Paulo

25 de setembro de 2021 | 11h52

BERLIM - A chanceler alemã, Angela Merkel, pediu com entusiasmo, neste sábado, 25, em seu último comício no cargo, que os alemães votem por Armin Laschet, o candidato da União Democrata-Cristã (CDU) para suceder a líder. Laschet e o candidato social-democrata, Olaf Scholz, estão muito próximos nas pesquisas de intenção de voto, o que torna o resultado das legislativas de domingo imprevisível. 

Afastada por um tempo da disputa eleitoral, a chanceler, que não preparou sua sucessão, não poupa mais esforços para tentar permitir que a união conservadora CDU-CSU obtenha uma vitória inesperada. Uma derrota de seu campo mancharia, de fato, o balanço daquela que igualará, com 16 anos na Chancelaria, o recorde de longevidade política de Helmut Kohl.

"É apenas a cada quatro anos que vocês têm a chance de decidir em nível federal quem deve moldar o futuro em Berlim", disse Merkel em Aachen, ao lado de um impopular e desajeitado Laschet. 

"O ex-jornalista de 60 anos aprendeu política do zero e dirige este Estado da Renânia do Norte-Vestfália como um próspero Estado federal", elogiou a chefe do governo alemão, que corre o risco de ter de lidar com os assuntos correntes nos próximos meses, durante as negociações para a formação de uma nova coalizão.

"É preciso tomar as decisões certas (...) porque trata-se do país de vocês e vocês decidem o futuro governo" que deverá garantir "prosperidade, segurança e paz", ressaltou a dirigente de 67 anos.

Desde a reviravolta que sofreu nas pesquisas, o candidato conservador partiu ao ataque, apelando ao espectro de uma guinada à esquerda com Scholz, o líder moderado do SPD e ministro das Finanças de Merkel desde 2018.

Curinga 

Enquanto a centro-direita sempre obteve mais de 30% dos votos nas eleições nacionais e forneceu ao país cinco dos oito chanceleres do pós-guerra, os conservadores correm o risco, desta vez, de obter seu pior resultado eleitoral.

Nas últimas pesquisas, os sociais-democratas aparecem liderando com cerca de 25% das intenções de voto, contra 21 a 23% dos votos para a CDU/CSU. Mas a diferença diminuiu nesta reta final e Angela Merkel apelou na sexta-feira aos eleitores indecisos. 

A queda de Armin Laschet nas pesquisas levou Scholz, que também é o vice-chanceler alemão, a ser um curinga inesperado. Ele encerrou sua campanha hoje em Potsdam, perto de Berlim.

Sua posição, que beira o tédio segundo seus detratores, e sua experiência como grande financista tranquilizam os eleitores alemães, que parecem, de fato, buscar o melhor herdeiro para uma chanceler que ainda goza de grande popularidade.

Essa preocupação leva cada um dos candidatos a reivindicar sua proximidade com Angela Merkel e é um bom presságio para a continuação de um curso centrista e pró-europeu. Aos 63 anos, Scholz, afirmou na sexta-feira, no entanto, que é a cara da "renovação da Alemanha", insistindo que o país "precisa de uma mudança".

Uma mudança reivindicada por dezenas de milhares de jovens que protestaram por toda a Alemanha na sexta-feira para exigir ações mais incisivas em favor do clima.

Apesar da importância das questões climáticas, e do trauma do país atingido por enchentes mortais em julho, a causa ambiental não avançou tanto quanto os Verdes esperavam. A candidata dos Verdes, Annalena Baerbock, obteria 15% dos votos, ficando em terceiro lugar, à frente do liberal FDP, com 11%.

Os Verdes devem, porém, desempenhar um papel importante na futura coalizão, cuja formação promete ser ainda complexa: exigirá três partidos para suceder à atual "GroKo" (grande coligação) formada pela União CDU/CSU e SPD. 

No leque de coalizões possíveis, uma maioria dominada pela esquerda e pelos verdes, ou associando liberais e centro-direita, influenciaria as escolhas de política orçamentária, fiscal e climática do país, e suas orientações diplomáticas./AFP 

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