No Equador, 2 tópicos do referendo podem ser rejeitados

Pela primeira vez, o "não" tomou hoje a frente em duas perguntas do referendo realizado no fim de semana no Equador, com cerca de 48% dos votos apurados. Na pergunta sobre a substituição do organismo que dirige o Judiciário, o Pleno da Judicatura, por um organismo de transição, o "não" está com 44,55%, enquanto 44,28% apoiam a medida defendida pelo presidente Rafael Correa.

AE, Agência Estado

10 de maio de 2011 | 15h46

No caso da pergunta sobre uma nova lei de comunicação e a criação de um conselho para regular conteúdos dos meios de comunicação, 43,92% rechaçam a proposta até o momento e 43,22% a aprovam. O ministro das Relações Exteriores, Ricardo Patiño, destacou na emissora Teleamazonas que nessas perguntas também haverá uma vitória do sim, quando todos os votos tiverem sido apurados.

Mas o ex-presidente da Assembleia Constituinte, Alberto Acosta, agora na oposição, disse em entrevista à rede de televisão Ecuavisa que "foi um enfrentamento entre Davi e Golias e parece que Davi começa a recuperar espaços na recontagem dos votos oficiais - em algumas perguntas o não começa a aproximar-se e superar o sim".

O irmão mais velho de Correa, Fabricio, que faz oposição ao governo, disse na emissora RTU que "perdemos o medo e triunfou a democracia no país". Segundo ele, "não se pode mudar a Constituição, meter as mãos na Justiça e tapar a boca dos meios de comunicação quando a maioria não aprovou o processo".

No total, foram convocados 11,15 milhões de equatorianos para o referendo com dez perguntas, cinco sobre mudanças constitucionais e as outras cinco sobre outras alterações legais. Estas últimas devem ainda ser referendadas pelo Legislativo.

Caso aprovada, a proposta oficial busca conseguir uma profunda transformação da função judicial, acusada pelo governo e pela oposição de ser ineficiente. O governo também quer impor novas regras para jornalistas e meios de comunicação, eliminar jogos de azar e cassinos e proibir os espetáculos com animais, como touros, entre outros pontos. O Conselho Eleitoral estima que até o fim de semana pode entregar os resultados finais do referendo. As informações são da Associated Press.

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