No Equador, Chávez evita tocar no assunto

Venezuelano assiste à assinatura de acordos petrolíferos com o governo do aliado Correa

Renata Miranda com AP e efe, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2010 | 00h00

Os governos da Venezuela e do Equador assinaram ontem um acordo para construir uma refinaria de petróleo na costa equatoriana. O documento foi firmado pelos presidentes das petrolíferas estatais dos dois países - PDVSA e Petroecuador - numa cerimônia da qual participaram os presidentes Hugo Chávez e Rafael Correa. Chávez chegou a Quito quarta-feira, após visitar o Uruguai e a Argentina, e seguiu ontem para a Bolívia.Ao mesmo tempo, na Venezuela, debatia-se o caso do venezuelano que desembarcou na Argentina com US$ 790 mil não declarados. Oscar Reyes, cientista político da Universidade Andrés Bello, afirmou que ainda não estão claros os reais vínculos entre o escândalo na Argentina e o governo Chávez. Mas vê a situação com desconfiança. ''''É muito suspeito um venezuelano ter saído do país com dinheiro não declarado num avião pago pelo governo argentino'''', disse, por telefone, ao Estado. ''''É mais curioso ainda o fato de o empresário estar acompanhado de um importante intermediário entre o governo dos dois países e funcionários da PDVSA.'''' De acordo com Reyes, o dinheiro levado pelo empresário Guido Antonini Wilson pode ter saído dos recursos petrolíferos venezuelanos e também poderia ser encarado como um exemplo de como o dinheiro do Estado é utilizado por Chávez para exercer influência política fora do país. Já o analista político venezuelano Alberto Garrido disse esperar por mais dados. ''''O escândalo, por enquanto, deve ser investigado pelo governo argentino.''''Ontem, a Justiça venezuelana informou que não investigará o caso até que receba um relatório da Argentina. Mas o organismo fiscal Seniat anunciou uma investigação própria.Ainda ontem, o México retomou relações diplomáticas plenas com a Venezuela, após dois anos de restrições.

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