No Equador, Noboa e Correa vão para 2.º turno

O candidato populista de direita Álvaro Noboa e o nacionalista de esquerda Rafael Correa dividiram o eleitorado na eleição presidencial deste domingo, no Equador, e disputarão um segundo turno em 26 de novembro, segundo pesquisas de boca-de-urna. Pela sondagem do Cedatos/Gallup, Noboa obteve 27,2% dos votos e Correa, 25,4%. Já a pesquisa do Informe Confidencial aponta o direitista com 28,5% e o esquerdista com 26,5%.Resultados parciais divulgados de noite, pelo Tribunal Superior Eleitoral do país, confirmaram as bocas-de-urna: com 51% dos votos apurados, Noboa tinha 27,5% e Correa 21,9%. Em terceiro lugar, estava o social-democrata León Roldós, com 15,8%. Para vencer no primeiro turno, um dos dois candidatos teria de ter obtido mais de 50% dos votos, ou pelo menos 40% dos votos válidos e uma vantagem de 10 pontos sobre o segundo colocado.Correa, da Aliança País, liderava as pesquisas pré-eleitorais, mas nos últimos dias vinha perdendo terreno para Noboa, do Partido Renovador Institucional Ação Nacional, que disputa a presidência pela terceira vez. O esquerdista desconheceu as bocas-de-urna, dizendo que qualquer coisa que não seja seu triunfo já no primeiro turno ´significa fraude e graves irregularidades´. Ele pediu que a Organização dos Estados Americanos retirasse do país o chefe de sua equipe de observação, o ex-chanceler argentino Rafael Bielsa, acusando-o de não reconhecer ´irregularidades no processo´ eleitoral.Noboa comemorou as bocas-de-urna dizendo que ´o povo acaba de dar o melhor corretivo possível a um amigo de terroristas, do (presidente da Venezuela) Hugo Chávez e de Cuba´, disse o candidato, que já anunciou que pretende cortar relações políticas com os dois países.Dono de uma das maiores exportadoras de banana do mundo, Noboa, de 56 anos, é o homem mais rico do Equador e focou sua campanha na promessa de construir casas, criar empregos para possibilitar a ascensão da população pobre à classe média e defender a assinatura de tratados de livre comércio com os EUA.Classificado de comunista por Noboa, o esquerdista Correa, de 43 anos, prega a proibição de pactos comerciais com os EUA, uma mudança constitucional para fortalecer os poderes presidenciais e a realização de uma ´revolução dos cidadãos´. Aliado de Chávez, o ex-ministro das Finanças também já mostrou simpatizar com a nacionalização do setor de gás e petróleo feita pelo boliviano Evo Morales em maio, declarando que pretende revisar e renegociar os contratos petrolíferos do Equador. O país exporta 68% de sua produção de 540 mil barris diários.Quem vencer o segundo turno tomará posse em 15 de janeiro. Os três últimos chefes de Estado foram destituídos por protestos em massa, causados por promessas não cumpridas e denúncias de corrupção. Os equatorianos também votaram ontem para renovar as 100 cadeiras do Congresso e eleger 664 vereadores. Terremotos são sentidos em Quito durante eleiçãoDois terremotos atingiram a região próxima à capital do Equador, Quito, durante as eleições. Os abalos, sentidos na capital, não deixaram vítimas nem danos. O Instituto de Geofísica equatoriano informou que o primeiro tremor, com epicentro em Calderón, a 5 quilômetros de Quito, ocorreu às 10h34 e alcançou 4,1 graus na escala Richter. Dez minutos depois, houve o segundo tremor, com magnitude de 3,8 graus. No Havaí, um terremoto de 6,6 graus ocorreu a 250 quilômetros do Honolulu, perto do povoado de Kailua Kona, causando um apagão em várias ilhas e danificando edifícios e estradas. Não houve vítimas.

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