Santiago Arcos/REUTERS
Santiago Arcos/REUTERS

No Equador, partido indígena pode ser chave no segundo turno presidencial

Após derrota do próprio candidato, Yaku Pérez, Pachakutik pode influenciar seus eleitores, que representaram 20% dos votos do primeiro turno

Redação, O Estado de S.Paulo

06 de abril de 2021 | 20h00

QUITO - O esquerdista Andrés Arauz e o direitista Guillermo Lasso batalham ferozmente uma semana antes da eleição presidencial no Equador, onde a base social do Pachakutik, braço político do maior movimento indígena do país, pode ser decisiva para definir a corrida.

No último sábado, 3, o presidente do movimento indígena equatoriano, Jaime Vargas, declarou apoio a Arauz. "Suas propostas têm nosso apoio absoluto no movimento indígena do Equador", disse o líder da Confederação de Nacionalidades Indígenas do Equador (Conaie), durante uma reunião pública com Arauz, celebrada na comunidade Kofán Dureno, na província amazônica de Sucumbíos.

"Sou presidente do movimento indígena do Equador e vim aqui apoiar a proposta das nossas nacionalidades", declarou Vargas, segundo vídeo publicado nas redes sociais.

Arauz, um economista de 36 anos, agradeceu o apoio e escreveu no Twitter: "estamos construindo a unidade nacional, pondo o Equador à frente", mensagem que ilustrou com uma fotografia erguendo as mãos ao lado do dirigente.

Após a derrota do candidato do Pachakutik, Yaku Pérez - que não conseguiu chegar ao segundo turno após ficar 0,35 ponto percentual atrás de Lasso no número de votos  - o partido havia se distanciando dos dois candidatos nas urnas, deixando a dúvida de para onde iriam os 20% de eleitores que os apoiaram no primeiro turno. A Conaie havia incentivado o voto nulo no segundo turno.

Os candidatos, no entanto, continuaram buscando apoio entre setores indígenas, que protagonizaram protestos contra o governo em outubro de 2019 e participaram de revoltas populares que depuseram três presidentes entre 1997 e 2005.

Arauz, afilhado político do ex-presidente socialista Rafael Correa (2007-2017), e Lasso, ex-banqueiro conservador e adversário ferrenho do ex-presidente, se enfrentam para substituir o impopular Lenín Moreno

Várias pesquisas colocaram Arauz na frente com quase uma dezena de pontos - ele venceu o primeiro turno com 32,72% dos votos, 13 pontos a mais que Lasso. 

Mas a última pesquisa da Market prevê um "empate técnico" entre Arauz, de 36 anos, candidato do partido União pela Esperança (Unes), e Lasso, de 65 anos, fundador do movimento Criando Oportunidades (Creo). 

Segundo a pesquisa, 50% votarão em Arauz e 49% em Lasso, uma diferença de cerca de 70 mil votos. 

Com essa projeção, as perspectivas para a votação de 11 de abril são "totalmente incertas", afirma Blasco Peñaherrera, diretor da Market, à Agência France-Presse, acrescentando que "esse capítulo não está encerrado".  Peñaherrera destacou que embora seja o segundo colocado, o "crescimento" eleitoral de Lasso é "muito maior" do que o de Arauz. O número de indecisos, que ao final do primeiro turno girava em torno de 35%, caiu para 8%.

Uma pesquisa da Cedatos, encerrada em 30 de março, mostrou Lasso com 52% e Arauz com 48%.

A vitória no primeiro turno, apoiada na imagem do ainda popular ex-presidente Correa, deu a Arauz alguma vantagem sobre Lasso. "Embora qualquer um dos dois possa vencer, parece-me que as chances de Arauz são maiores", afirmou o cientista político Santiago Basabe, da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso). Para ele, em caso de vitória de Arauz, "o primeiro ponto da agenda do governo será, sem dúvida, a volta de Correa". 

Para Peñaherrera, os resultados das últimas pesquisas são reversíveis. "Nas urnas, vimos mudanças violentas em quase todos os processos eleitorais". /AFP

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