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No Facebook, policial morto havia pedido fim do ódio

Montrell Jackson foi um dos três policiais assassinados no domingo em Baton Rouge

Claudia Trevisan, ENVIADA ESPECIAL / CLEVELAND, EUA, O Estado de S.Paulo

18 de julho de 2016 | 21h26

Três dias depois de um colega matar a tiros o ambulante negro Alton Sterling em Baton Rouge, o policial Montrell Jackson fez um desabafo em sua página no Facebook, no qual pediu às pessoas que não se deixassem contaminar pelo ódio e manifestava a convicção de que sua cidade superaria o momento difícil em que havia mergulhado. 

Negro e pai de um menino de 4 meses, Jackson foi um dos três policiais de Baton Rouge morto a tiros no domingo por um atirador também negro. Na mesma mensagem no Facebook, ele refletiu sobre as contradições que marcam a vida de agentes da lei afro-americanos em um país que vive uma crescente tensão e polarização racial.

“Eu juro por Deus que eu amo essa cidade, mas me pergunto se essa cidade me ama”, escreveu Jackson, no momento em que manifestantes ocupavam as ruas de Baton Rouge para protestar contra a violência policial dirigida a homens negros. “Quando estou de uniforme eu recebo olhares de ódio e quando estou sem uniforme, alguns me consideram uma ameaça”, escreveu.

“Esses são momentos desafiadores. Por favor, não deixe o ódio infectar seu coração”, afirmou o agente no Facebook. Policial havia dez anos, Jackson prometeu fazer sua parte para ajudar a comunidade de Baton Rouge a superar o trauma provocado pela morte de Alton Sterling. “Eu estou trabalhando nessas ruas, para que qualquer manifestante, policial, amigos, parentes, quem quer que seja, se você me vir e precisar de um abraço ou quiser fazer uma oração”, acrescentou Jackson.

O ataque de domingo em Baton Rouge foi o segundo em dez dias que teve policiais como alvo. No dia 7 de julho, um ex-marine negro matou a tiros cinco policiais em Dallas, em uma ação classificada como um crime de ódio racial pelo presidente Barack Obama. 

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