Jonathan Ernst/Reuters
Jonathan Ernst/Reuters

No fim da viagem pela África, Obama aborda terrorismo e crise no Sudão do Sul

Presidente afirmou que os EUA não enviarão tropas para combater o Al Shabaab na Somália e pediu um acordo de paz no Sudão do Sul

O Estado de S. Paulo

27 de julho de 2015 | 09h13

ADDIS ABABA - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, encontrou o primeiro-ministro da Etiópia nesta segunda-feira, 27, na primeira visita de um presidente americano em exercício ao país, criticado por seu histórico de violações aos direitos humanos.

As conversas com o premiê Hailemariam Desalegn tiveram como foco a segurança e a ameaça do grupo militante islâmico Al Shabaab na Somália. No domingo, um ataque do grupo contra um hotel somali deixou ao menos 13 mortos.

Obama garantiu que os EUA não cogita o envio de tropas ao país africano porque seus aliados na região, como Eitópia, Quênia e Uganda, estão capacitados para a luta antiterrorista. "Há uma complementação entre nossos Exércitos. Nós dispomos de alguns recursos que talvez eles não tenham, mas não precisamos mandar nossos soldados porque etíopes, quenianos e ugandeses são grandes lutadores", afirmou o presidente americano. A Etiópia tem parceria com os EUA na luta contra o terrorismo e nos serviços de inteligência.

No Quênia, terra natal do pai, Obama pediu aos quenianos para aumentarem a democracia, atacarem a corrupção e acabarem com as políticas de exclusão baseadas em gêneros ou etnias. Ele também prometeu maior assistência de segurança para o país.

"Estamos bastante comprometidos na parceria com os países africanos para aumentar suas capacidades de enfrentar ameaças imediatas impostas por organizações terroristas", informou a Casa Branca em nota nesta segunda-feira.

Sudão. Obama se encontrará com líderes regionais para discutir o conflito no Sudão do Sul e tentar conseguir apoio na região para iniciar uma ação decisiva contra os líderes do país caso não aceitem encerrar o confronto em 17 de agosto. Nesta data, vence o prazo estabelecido pela Autoridade Intergovernamental para o Desenvolvimento (Igad, o bloco de países mediador da crise) para que o presidente do Sudão do Sul, Salva Kiir, e o líder rebelde, Riek Machar, cheguem a um acordo.

Facções rivais ignoraram a pressão para terminar a luta e a conversa pode considerar possíveis sanções caso o prazo em meados de agosto não seja alcançado.

"Infelizmente, a situação continua piorando. A situação humanitária piora", lamentou Obama, pedindo um acordo de paz para as "próximas semanas". "Não temos muito tempo. As condições no local estão piorando muitop. O objetivo é assegurar que EUA e Igad estejam alinhados em uma estratégia dirigida a um desenvolvimento e conversas de paz", acrescentou o presidente americano nesta segunda.

O país vive uma guerra civil há meses, iniciada por um conflito que começou em 2013 entre facções do Exército, dividido pela rivalidade entre Kiir e Machar. Várias milícias se juntaram de cada lado, gerando intensos conflitos e massacres. 

Milhares de pessoas morreram e mais de um milhão foram obrigadas a abandonar suas casas desde dezembro de 2013. Representantes de Kiir e Machar negociam há mais de um ano e meio em longos encontros em diferentes cidades africanas sem terem conseguido chegar a um acordo. /AFP, AP, EFE e REUTERS


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