No Haiti, candidatos pedem mobilização de partidários

Escritórios governamentais e escolas continuaram fechados hoje no Haiti, depois de dois dias de confrontos estimulados pelo anúncio do resultado da disputada eleição presidencial, que deu início a declarações raivosas dos adversários Jude Celestin e do cantor Michel Martelly, os quais prometeram ir à Justiça para assegurar a participação no segundo turno da eleição que vai decidir o sucessor de René Préval.

AE, Agência Estado

10 de dezembro de 2010 | 17h51

Os confrontos deixaram cinco mortos. A comissão eleitoral iniciou a revisão dos resultados que mostraram que Martelly não iria para o segundo turno por menos de sete mil votos, enquanto o protegido de Préval teria conquistado o direito de manter sua candidatura.

Celestin prometeu que vai defender seu direito de participar do segundo turno, marcado para 16 de janeiro, contra a ex-primeira-dama Mirlande Manigat. "Nós acreditamos que a eleição não pode ser disputada por meio da destruição. Nós exigimos que vocês permaneçam calmos, mas que se mobilizem em todo o país, porque vamos defender legalmente seus votos", disse Celestin a seus partidários.

Nuvens de fumaça continuavam a subir de barricadas feitas com pneus nas ruas da capital. Os moradores saíram cautelosamente de seus abrigos para buscar água e comida. Mais de 1,3 milhão de pessoas continuam sem casa após o terremoto de janeiro, que matou 250 mil pessoas. A vida é uma batalha diária pela sobrevivência em meio a uma epidemia de cólera que já matou 2.100 pessoas.

O Haiti parece agora estar à beira de um grande distúrbio social, temido desde o terremoto. Voos internacionais, vitais para levar ajuda e medicamentos, foram suspensos. O Canadá fechou sua embaixada e os Estados Unidos - que denunciaram os "resultados inconsistentes" - advertiram seus cidadãos a fazer apenas viagens essenciais ao país.

Uma fonte diplomática disse à agência France Presse que diplomatas estrangeiros devem se reunir ainda hoje para discutir a situação, já que até mesmo as forças de paz da Organização das Nações Unidas (ONU) são alvo de ataques com pedras.

Contagem

Os resultados iniciais mostraram Manigat, uma acadêmica de 70 anos, na liderança com 31,37% (336.378 votos); Celestin em segundo com 22,48% (241.462 votos) e Martelly em terceiro, com 21,84% (234.617 votos). Martelly, de 49 anos, popularmente conhecido como "Sweet Micky", disse entender a raiva de seus partidários com os resultados e insistiu que o "protesto sem violência é um direito do povo".

Se a revisão mantiver os resultados, Manigat vai concorrer com Celestin, um tecnocrata do governo de 48 anos que foi retirado da obscuridade por Préval para ser o candidato do partido governista Unidade.

Independentemente de quem vença, o novo presidente terá a difícil tarefa de reconstruir um país traumatizado, com dez milhões de habitantes, que já era o mais pobre das Américas antes mesmo do terremoto e da epidemia de cólera. As informações são da Dow Jones.

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