No Harlem, atuação mais agressiva de Obama ganha aplausos

Transmissão ao vivo de debate no lendário teatro Apollo atraiu eleitorado predominantemente favorável ao atual presidente americano.

Caio Quero, BBC

17 de outubro de 2012 | 06h57

Uma atuação mais forte e agressiva por parte de Barack Obama. Era o que grande parte da audiência do Apollo Theater, no bairro do Harlem, em Nova York, parecia esperar do debate desta terça-feira entre o presidente americano e o candidato republicano Mitt Romney.

A julgar pelos gritos e vaias vindos da plateia que assistiu ao evento no tradicional reduto da cultura negra americana, Obama parece ao menos em parte ter atingido esse objetivo.

Conhecido por ter sido o local de estreia de nomes como Ella Fitzgerald e Billie Holiday e por ter abrigado apresentações de artistas como James Brown, Michael Jackson e Miles Davis, as grandes estrelas da noite desta terça-feira no Apollo, no entanto, foram Obama e Romney.

No palco, um telão transmitia ao vivo o debate enquanto a plateia reagia com vaias e risos, como na tradicional noite de artistas amadores do teatro.

"Eu espero que seja um pouco diferente do primeiro debate", dizia Sadie Campbell pouco antes do início.

"O primeiro foi um pouco frustrante. O presidente permaneceu calmo, mas ficou parecendo fraco. Eu quero que o presidente fale mais, porque ele sabe o que falar. Nós sabemos que ele sabe a verdade, e nós sabemos que Romney é um mentiroso", disse.

Já Davit Pres, um veterano da guerra do Vietnã de 64 anos, disse ter ficado "bravo" com a atuação de Obama no primeiro debate, mas depois avaliou que a performance pode ter sido uma estratégia do presidente.

Para ele, os assuntos mais importantes dessa eleição são a economia e a legislação sobre aborto, que ele teme que possa ser restringida por Romney.

Assim como Sadie e Pres, a maioria da plateia aparentemente era formada por eleitores de Barack Obama. Entre os espectadores com quem a reportagem da BBC Brasil conversou na noite desta terça-feira, todos afirmaram que votarão pela reeleição do presidente e apenas um disse estar indeciso.

De acordo com uma pesquisa de opinião divulgada pela rede de televisão NBC e pelo jornal The Wall Street Journal no final de agosto, Obama deve contar com os votos de cerca de 94% do eleitorado negro americano nas eleições de novembro.

A oposição ao presidente apareceu de maneira isolada, durante um painel de discussões antes do debate. Um jovem, que não quis dar depoimento à reportagem, perguntou aos debatedores se a eleição de Obama não estaria servindo para mascarar o racismo nos EUA.

Empolgação

Mas, se o apoio a Barack Obama era alto, a maior parte da plateia parece ter preferido expressá-lo de maneira mais discreta. Não havia bandeiras ou os tradicionais pôsteres, e poucos usavam camisetas e broches do candidato.

O teatro também estava mais vazio do que costuma ficar nas noites de shows de amadores, embora a entrada fosse gratuita. Parte dos eleitores talvez estivesse mais interessada em assistir ao jogo de beisebol que acontecia naquele momento ou foi espantada pelo frio de 12ºC que fazia na rua.

Mas, com o início do debate, aqueles que estavam na plateia fizerem questão de aplaudir o presidente, enquanto algumas falas de Romney eram acompanhadas por invariáveis vaias, apesar de alguns pedidos de silêncio.

Alguns dos momentos de maior excitação da plateia aconteceram quando Obama foi mais duro com Romney, como ao acusar o republicano de "não falar a verdade" sobre suas posições durante a crise na indústria automotiva americana e a respeito das políticas de energia do governo.

O presidente também foi aplaudido quando disse ser "em última instância responsável" pela segurança dos representantes americanos mortos em Bengazi, na Líbia, no último dia 11 de setembro.

Mas talvez o momento de maior empolgação aconteceu no final do debate, quando o presidente fez menção a um vídeo em que Romney aparece dizendo que 47% dos americanos são "dependentes do governo" e se veem como vítimas. Alguns comentaristas na mídia americana haviam criticado o presidente por não ter citado a frase de Romney no primeiro debate.

Ao final do embate, Juanita Johnson, que também se declara eleitora de Obama, dizia ter aprovado a atuação do presidente. "Ele foi maravilhoso", disse. "Ele entrou em questões que foram deixadas em aberto no último debate."

Já Thomas E. Benjamin não estava tão animado. Após ter votado em Obama em 2008, ele disse estar indeciso e afirmou que o debate para ele "não tinha significado". "Muita política, muita mídia. Eu não tenho fé nos candidatos. Um só homem não faz o mundo girar", disse. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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