No horário nobre, Isaac fará companhia ao candidato

Análise: Chris Cillizza / Washington Post

O Estado de S.Paulo

29 de agosto de 2012 | 03h00

A decisão do comitê central dos republicanos de cancelar o primeiro dia da convenção do partido, em razão da tempestade tropical Isaac, provavelmente reduzirá a exposição do encontro na TV americana. Como consequência, será mais difícil para o candidato Mitt Romney contar e vender sua história aos americanos.

No plano logístico, abreviar a convenção de quatro para três dias significa discursos mais breves dos delegados do partido, além de um remanejamento de horários das aparições das estrelas republicanas. O objetivo principal é garantir que a imagem de Romney mantenha-se no ar durante o horário nobre.

O furacão que atualmente atinge a Costa do Golfo coloca ainda outros obstáculos aos republicanos. Lembremos que as convenções - apesar de incrivelmente programadas e desprovidas de qualquer drama real - representam a maior oportunidade para um político se apresentar e defender seu programa para um grande público. Embora muitos americanos acompanhem Romney e a campanha presidencial republicana há anos, o cidadão comum ainda tem apenas uma vaga de ideia de quem é exatamente o ex-governador de Massachusetts. Provavelmente sabe que ele é um empresário e ex-governador.

Convenções são importantes para resolver essa falta de conhecimento do eleitor, particularmente no caso de um candidato que concorre com um presidente em exercício. Quatro dias para contar a história de Romney permitem que a cada noite seja explorada plenamente um diferente aspecto da sua vida - de empresário, grande figura dirigente de Olimpíadas de inverno, governador, pai de família. Em três noites, isso ficará mais difícil.

Imprevisto. O maior problema para Romney e seu partido, contudo, não é o período de tempo menor que eles têm. O pior é a notícia de que o furacão Isaac vai atingir alguma parte entre a Flórida e New Orleans nas próximas horas.

Esse tipo de desastre natural significa que todos os jornais, canais de notícias e redes de rádio e TV dos EUA dividirão sua cobertura entre o furacão e a convenção do partido. E, em vez de o encontro político dominar o horário nobre - e a atenção de milhões de pessoas -, é possível que a tempestade tropical que se tornou furacão comande as notícias.

O fenômeno é duplo, pelo menos no caso da Flórida, que estará lidando com as consequências de um furacão violento no momento em que Romney está prestes a aceitar oficialmente a indicação pelo partido, na noite de amanhã. Os republicanos escolheram a Flórida para local da convenção esperando dominar a cobertura da imprensa nesse Estado decisivo durante, no mínimo, uma semana. Isso certamente não vai ocorrer.

Para ser claro, o momento mais importante da convenção é, foi e sempre será, o discurso de aceitação de Romney, amanhã. Não importa o que se passar ao longo da Costa do Golfo nos próximos dias, o que Romney disser - ou deixar de dizer - e a sua habilidade para se sintonizar com o eleitor determinarão se a convenção foi um sucesso para o partido e seu indicado ou se foi um fracasso. A tempestade tropical claramente complica a planejada apresentação de Mitt Romney ao público em geral, para sua campanha e o seu partido. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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