No início das revoltas árabes, audiência subiu 450% nos EUA

Para especialista, rede mostra como se cobre um levante popular, indo ao olho do furacão com as câmeras ligadas

William Douglas, O Estado de S.Paulo

28 de março de 2011 | 00h00

Quando os levantes começaram no mundo árabe, a emissora pública KCET, de Los Angeles, decidiu passar o programa MHZ Worldview - noticiário da Al-Jazira antes transmitido somente no canal digital - para seu canal principal. Representantes da rede americana disseram que o noticiário tem feito sucesso desde então.

De acordo com Bret Marcus, diretor chefe de conteúdo da emissora, entre 7 de fevereiro e 4 de março a audiência do noticiário da Al-Jazira transmitido às 18h30 aumentou 450%, atraindo cerca de 100 mil espectadores.

Também é possível assistir diariamente aos noticiários árabes na Link TV, emissora independente disponível principalmente nos sistemas DirectTV. Outra opção para os americanos é assistir ao canal em inglês diretamente a partir do site, ao vivo.

Mas a aparente limitação ao acesso não impediu que a Al-Jazira fosse elogiada por sua cobertura. "A rede mostrou à mídia global como se cobre um levante popular - indo de encontro ao olho do furacão com as câmeras ligadas, ao mesmo tempo testemunhando e catalisando os acontecimentos", dizia um texto publicado na edição de março/abril da Columbia Journalism Review.

Às vezes, a rede se aproxima demais da ação. O cinegrafista Ali Hassan al-Jaber, do Catar, morreu no início do mês quando seu carro foi alvejado na Líbia perto da cidade de Benghazi, controlada pelos rebeldes. Representantes da Al -Jazira disseram que 20 homens armados invadiram seus escritórios no Iêmen na semana passada, e confiscaram os equipamentos de transmissão.

Alguns analistas da mídia dizem que a ascensão da Al -Jazira pode ser associada ao declínio da cobertura internacional feita pelos canais de notícias da TV americana. Com a redução da audiência, as redes americanas fecharam suas sucursais no exterior para poupar dinheiro, valendo-se de vídeos comprados de emissoras estrangeiras ou de profissionais freelancers.

O reconhecimento de hoje difere muito da opinião desfavorável que muitos americanos faziam da Al -Jazira durante a presidência de George W. Bush. Segundo a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, a imagem dos EUA transmitida pela emissora é de importância vital, pois ele se tornou uma poderosa formadora de opinião no Oriente Médio. "Além disso, a rede é eficaz, quer gostemos dela ou não", acrescentou.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.