No interrogatório, Pinochet disse que não é criminoso

O general Augusto Pinochet disse que os restos dos opositores desaparecidos em mãos de uma comitiva militar em 1973, a denominada "caravana da morte",eram de "terroristas sem documentos" cujos corpos nunca foram reclamados por seus familiares, segundo uma versão divulgada nesta quarta-feira pela Rádio Chilena de Santiago.A rádio divulgou nesta quarta-feira o que afirma ser uma transcrição das perguntas e respostas do interrogatório a que Pinochet foi submetido nesta terça-feira pelo juiz Juan Guzmán.No texto há uma menção ao fato de Pinochet ter demonstrado boa memória a respeito de fatos ocorridos há 27 anos.Guzmán decidirá nos próximos dias se vai processar Pinochet pelo assassinato de 57 opositores e o desaparecimento de outros 18 em mãos da comitiva de oficiais do Exército, enviada pelo então chefe do governo a cidades do norte do país para agilizar os conselhos de guerra após o golpe militar de 1973.Segundo a versão da emissora, Pinochet disse ao juiz que alguns corpos de executados foram retirados por seus familiares e, "em outros casos, tratava-se de terroristas, e estes não tinham documentos, era difícil sua identificação e ninguém sabia onde estavam os corpos porque ninguém os reclamava".Quando o juiz lhe mostrou cópias de um documento que contém correções de seu próprio punho e letra e uma lista de 53 dissidentes - executados, segundo o informe, por ordem do comandante-em-chefe do Exército, que era o próprio Pinochet -, este disse ao juiz: "é absolutamente falso. Eu não sou nenhum criminoso". "Além do mais, os encarregados dos processos daspessoas detidas eram os comandantes das respectivas guarnições", acrescentou o veterano militar.Diante de outra pergunta, ele respondeu que "em nenhum momento eu ordenei fuzilamento de ninguém. Havia uma ordem da Junta de Governo para que somente em caso de defesa da própria vida se poderia abrir fogo". Pinochet, de 85 anos, corre o risco de ser processado pelos 57 assassinatos e os 18 seqüestros que correspondem a corpos de detidos executados que não foram entregues a suas famílias. A respeito do mesmo caso, Guzmán já julgou seis oficiais - entre os quais o general reformado Sergio Arellano Stark, chefe da "caravana da morte".

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