Hasan Shirvani/Mizan News Agency, via Associated Press
Hasan Shirvani/Mizan News Agency, via Associated Press

No Irã, o triunfo do ego sobre o interesse nacional 

Tensão tem repercutido em um ponto do Oriente Médio, no Estreito de Ormuz, por onde passa ao menos um quinto do petróleo bruto do mundo todos os dias

Renata Tranches, O Estado de S.Paulo

18 de agosto de 2019 | 05h00

Em sua campanha, Donald Trump criticou o acordo nuclear fechado entre potências internacionais, entre elas os EUA, e o Irã sobre seu programa nuclear e disse que o substituiria por um melhor. Uma vez na Casa Branca, Trump retirou os EUA do pacto, mas não apresentou alternativa. Sua estratégia, segundo o analista Aaron David Miller, era tentar encontrar razões políticas para reformar o acordo, mas acabou por subestimar o grau de resposta dos iranianos ao retorno das sanções econômicas dos EUA. 

A tensão tem repercutido em um ponto do Oriente Médio, no Estreito de Ormuz, por onde passa ao menos um quinto do petróleo bruto do mundo todos os dias. O Irã reteve petroleiros e navios de várias nacionalidades, incluindo a britânica. Este mês, Londres informou estar se juntando aos EUA na missão para proteger embarcações em Ormuz. 

Para Miller, o presidente americano está em uma posição na qual leva adiante sua palavra de renegociar ou vai à guerra para mudança de regime. No ápice das tensões, o presidente cancelou “dez minutos antes” um ataque militar ao Irã, segundo ele, após saber que ao menos 150 morreriam. O objetivo era punir o país por ter derrubado um drone americano, que Teerã alega ter invadido seu espaço aéreo. 

“Nesse momento, estamos à deriva e, se tivermos sorte, ele (Trump) evitará um confronto militar”, afirmou Miller ao Estado. Ex-analista e conselheiro do Departamento de Estado para Oriente Médio em administrações republicanas e democratas por 25 anos, Miller diz que retirar os EUA do “falho, mas funcional” pacto com Irã foi o triunfo do ego e da política doméstica sobre os interesses americanos.

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