Alaa al-Marjani/Reuters
Alaa al-Marjani/Reuters

No Iraque, 60 mortos e mais de mil feridos após quatro dias de confrontos

Polícia disparou contra manifestantes que protestaram contra corrupção e desemprego pelo quarto dia seguido

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de outubro de 2019 | 21h44

BAGDÁ - Centenas de manifestantes se reuniram nesta sexta-feira, 4, em cinco pontos de Bagdá, capital do Iraque, para pedir mais serviços públicos, apesar do toque de recolher imposto pelo governo na véspera. Os confrontos nos últimos quatro dias deixaram pelo menos 60 mortos e mais de 1,6 mil feridos, segundo fontes policiais e médicas.

Os protestos na capital iraquiana começaram na terça-feira e foram convocados nas redes sociais pelos cidadãos que, tanto pela internet quanto nas ruas, exigem melhorias nos serviços públicos, como água e eletricidade, mais oportunidades de trabalho e o fim da corrupção.

Nenhum partido ou movimento das várias facções que dominam o cenário político iraquiano lidera as mobilizações, embora alguns tenham expressado sua solidariedade e apoio às reivindicações dos manifestantes, na sua maioria jovens.

Em discurso transmitido na TV durante a madrugada, o premiê, Adil Abdul-Mahdi, disse entender a frustração e o sofrimento da população, mas ressaltou que não há “solução mágica” para os problemas do país.

“Não vivemos em torres de marfim – andamos entre vocês pelas ruas de Bagdá”, afirmou o premiê. Ele também pediu calma e apoio dos legisladores para reorganizar o gabinete sem a influência de grandes partidos e grupos. O primeiro-ministro, cujo governo foi formado em outubro do ano passado com perfil tecnocrata, prometeu que um salário básico para famílias pobres seria discutido.

As autoridades fecharam estradas no norte e no nordeste do Iraque nesta sexta que dão acesso à capital e enviaram reforços ao leste de Bagdá, uma região densamente povoada. Comboios militares também foram deslocados para Nassiriya, cidade mais atingida pela onda de violência.

Em Bagdá, ignorando o toque de recolher, manifestantes se reuniram ainda no escuro sob a luz de uma fogueira entre destroços de um veículo blindado às margens do Rio Tigre, perto do complexo governamental. “Eles estão atirando munição real contra o povo iraquiano e os revolucionários. Podemos atravessar a ponte e tirá-los da Zona Verde!”, gritou um manifestante.

“Abdul-Mahdi, eles atravessarão a ponte. É melhor você renunciar. O povo exige a queda do regime”, continuou o homem, enquanto a multidão repetia um cântico que se tornou popular no Oriente Médio nos levantes da Primavera Árabe: “O povo exige a queda do regime!” / AP e REUTERS

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