No Japão, Hillary alerta Pyongyang

Secretária de Estado americana adverte que possível teste de míssil norte-coreano seria considerado ?provocação?

AP, AFP, Efe e Reuters, TÓQUIO, O Estadao de S.Paulo

18 de fevereiro de 2009 | 00h00

A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, alertou ontem o governo da Coreia do Norte para que evite provocações potencialmente prejudiciais ao progresso nas relações entre os dois países. As declarações de Hillary foram uma resposta ao anúncio de Pyongyang, da véspera, de que o país tem direito ao "desenvolvimento espacial". O termo já foi usado antes para mascarar o teste de um míssil de longo alcance como se fosse um lançamento de satélite.A ameaça coreana foi feita durante a comemoração do 67º aniversário do líder Kim Jong-il, "O possível lançamento de míssil que a Coreia do Norte está discutindo prejudicaria o andamento de nossas relações", disse Hillary durante uma entrevista coletiva no Japão, onde faz sua primeira viagem internacional como secretária de Estado. A chanceler americana está no país para reforçar os laços de Washington com seu principal aliado na Ásia. Hoje, ela deixa Tóquio com destino à Indonésia. Ela também visitará a Coreia do Sul e a China, onde ficará de sexta-feira a domingo.Hillary ainda afirmou que, se o regime de Kim quiser pôr fim ao seu isolamento terá de cumprir as promessas de desnuclearização feitas durante o governo do ex-presidente americano George W. Bush. Segundo um acordo assinado em 2007 por EUA, China, Rússia, Japão, Coreia do Sul e Coreia do Norte, o regime comunista de Kim aceitou acabar com seu programa nuclear em troca de ajuda energética. No entanto, as negociações chegaram a um impasse no fim de 2008, depois que Pyongyang se negou a autorizar inspeções de comprovação de seu processo de desnuclearização."Se a Coreia do Norte cumprir os compromissos que assumiu e eliminar completamente seu programa nuclear, receberá uma resposta recíproca dos EUA", afirmou Hillary. "Tudo realmente depende dos coreanos."Entre as possíveis reações de Washington ao fim das atividades nucleares de Pyongyang está a normalização das relações com os EUA, além da assinatura de um tratado de paz entre as duas Coreias - que, tecnicamente, continuam em guerra. Os americanos também poderiam se comprometer a dar ajuda energética, financeira e humanitária para os norte-coreanos.Ontem, a China - único aliado do regime de Kim - pediu negociações para reduzir as tensões na região. "Esperamos que as partes envolvidas percebam que manter a paz e a estabilidade na Península Coreana está de acordo com os interesses comuns de todos os lados", afirmou o Ministério de Relações Exteriores chinês.RELAÇÕES DANIFICADASA Coreia do Sul caracterizará Pyongyang como uma "ameaça direta e séria" em seu relatório de Defesa de 2008 por causa da crescente tensão relacionada aos programas nuclear e de mísseis do país. A informação foi divulgada por um funcionário do Ministério da Defesa que não quis se identificar e recusou-se a dar mais informações sobre o caso.O documento - que será divulgado na sexta-feira - deve danificar ainda mais os laços entre os dois países, cujas relações despencaram para o mais baixo nível em uma década desde que o presidente sul-coreano, Lee Myung-bak, tomou posse no ano passado prometendo endurecer as políticas referentes ao norte.

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