No Líbano, Papa diz que violência gera sofrimento

O Papa Bento XVI fez um forte apelo neste domingo pela paz na Síria e no Oriente Médio, condenando a violência como "o que gera tanto sofrimento". Falando em uma missa campal celebrada com uma grande multidão presente na capital do Líbano, o Papa pediu à comunidade internacional, e especialmente aos países árabes, que encontrem uma solução para acabar com o conflito na Síria. O padre Frederico Lombardi, porta-voz do Vaticano, afirmou que os organizadores locais estimaram a multidão em 350 mil pessoas.

AE, Agência Estado

16 de setembro de 2012 | 11h13

"Por que tanto horror? Por que tantas mortes?", questionou Bento XVI, lamentando que "as primeiras vítimas sejam as mulheres e as crianças". Ele afirmou que os cristãos devem fazer sua parte para acabar com a "trilha sombria de morte e destruição" na região. "Eu vos rogo que sejais pacificadores", pediu. Bento XVI disse que a justiça e a paz são necessárias para construir "uma sociedade fraternal, para construir uma amizade".

No local onde foi colocado o altar para a celebração da missa, usou-se terra recuperada com detritos da guerra civil do Líbano (1975 a 1990), simbolizando a paz e a reconciliação entre cristãos e muçulmanos. O Papa, que tem 85 anos e vestia paramentos verdes, conforme o tempo litúrgico, pareceu aguentar bem o calor do Mediterrâneo. Helicópteros sobrevoaram a área e soldados fizeram bloqueios, patrulhando as ruas do centro de Beirute. Quando Bento XVI chegou ao local da missa, no papamóvel a prova de balas, a multidão gritava e sacudia pequenas bandeiras do Vaticano e do Líbano.

A visita papal ao Líbano ocorre num momento de cada vez maior tensão sectária na região, agravada pelo conflito na Síria, que vive uma guerra civil há 18 meses. No encontro com jovens, realizado na noite de sábado, o Papa disse que admira a coragem a juventude síria e que não esqueceu seu sofrimento. Representantes dos mais diversos grupos religiosos do Líbano compareceram ao encontro.

O patriarca Bechara al-Rai, líder da igreja oriental maronita, que se submete à autoridade do Papa, referiu-se ao pontífice antes da missa: "Sua visita é uma válvula de segurança num momento em que os cristãos sentem a instabilidade e estão fiéis, resistindo para confirmar que estão profundamente enraizados em sua terra, apesar dos grandes desafios." Muitos cristãos no Oriente Médio estão desconfortáveis com os protestos iniciados na chamada Primavera Árabe, que tem levado ao fortalecimento de grupos islâmicos na maioria dos países que tiveram tumultos.

O representante do grupo militante islâmico xiita Hezbollah que compareceu à missa, Nawaf al-Moussawi, declarou à TV libanesa LBC: "Nossa mensagem é de que queremos trabalhar juntos por um Oriente Médio e uma região onde as religiões e seitas vivam sobre a base da justiça que leva à paz."

Al-Moussawi acrescentou: "O que reclamamos sobre a região hoje é que está sofrendo com a injustiça das políticas coloniais", numa referência aparente aos Estados Unidos. "Nós só vemos suas frotas." O Hezbollah é um aliado da Síria, que acusa o Ocidente e os árabes de conspiração. Os Estados Unidos consideram o Hezbollah uma organização terrorista. O porta-voz do Vaticano, padre Lombardi, não quis detalhar qual é a posição da Santa Sé sobre o grupo. As informações são da Associated Press.

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