AFP PHOTO / YURI CORTEZ
AFP PHOTO / YURI CORTEZ

No México, 'Corruptour' leva turistas a lugares obscuros do país

Projeto, cujo objetivo é despertar a consciência para a corrupção, passou a oferecer visitas guiadas aos domingos na capital Cidade do México; reservas estão esgotadas até abril

O Estado de S. Paulo

07 Fevereiro 2017 | 16h45

CIDADE DO MÉXICO - À direita, a Estela de Luz, um grande monumento superfaturado em forma de biscoito de baunilha. À esquerda, uma escultura em homenagem aos 43 estudantes assassinados pela polícia em 2014 no Estado de Guerrero. Estes são os mais novos pontos que entraram no circuito turístico da Cidade do México. O Corruptour não leva seus clientes a lugares históricos e igrejas, mas coloca uma luz pouco lisonjeira sobre o mundo obscuro mexicano.

"O objetivo é despertar a consciência dos mexicanos para um problema grave que parece cada vez mais amplo", disse Tania Sanchez, guia voluntária de 44 anos. "A ideia é informar às pessoas sobre a corrupção de uma forma divertida." 

Segundo o índice da Transparência Internacional de 2016, o México ocupa a posição 123 de 176 no ranking mundial da corrupção. Os mexicanos, muitas vezes, mencionam a corrupção como sua maior preocupação. 

O problema vai desde a polícia que pede um trocado para livrar o cidadão de uma multa, de um fiscal que exige propina para não fechar uma loja, até enormes escândalos envolvendo contratos com o governo no valor de bilhões de dólares.

O Corruptour foi lançado em 2014 em Monterrey, no norte do México. Na semana passada,  colocou à disposição dois passeios guiados gratuitos aos domingos na capital, financiados pela iniciativa privada com um orçamento de 100.000 pesos (cerca de US$ 5 mil).

Durante uma hora e meia de tour, uma gravação conta com bom humor histórias por trás de cada um dos dez locais visitados. Os guias convidam os passageiros a partilhar as próprias experiências com a corrupção e pede sugestões para combater o problema.

Um dos pontos altos do passeio é a "Casa Blanca", a mansão da mulher do presidente Enrique Peña Nieto, cuja construção foi cercada de contratos lucrativos. Os turistas não chegam a visitar a propriedade, pois dizem que fica muito longe do ponto de partida, o Museu Nacional de Antropologia, mas o ônibus circula nos limites da região onde está localizada a mansão para que os passageiros tenham um gostinho das casas de luxo. 

Outro ponto ilustre é o Instituto Mexicano de Seguro Social, onde supostos casos de superfaturamento e enriquecimento ilícito de funcionários são algumas das irregularidades mais relatadas. Os visitantes também passam pelo Senado, pelo Ministério Público do Distrito Federal e por uma das instalações da Televisa, o maior império televisivo do país.

Os organizadores dizem que o Corruptour ainda está em uma fase piloto de três meses para medir o interesse, mas já esperam que o projeto continue. No último domingo, os dois horários oferecidos tiveram sua capacidade máxima atingida e dezenas de pessoas ficaram de fora da atração. De acordo com o site, onde é possível reservar um horário para o Corruptour, a próxima data disponível é no longínquo 2 de abril. / AP

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