No México, Obama pede aos EUA lei anti-armas

Tráfico de drogas e de armamento domina encontro com Calderón

Patrícia Campos Mello, O Estadao de S.Paulo

17 de abril de 2009 | 00h00

O presidente americano, Barack Obama, anunciou ontem que pressionará o Senado americano para ratificar o tratado interamericano de combate ao contrabando de armas. O anúncio, feito após o encontro de Obama com o presidente mexicano, Felipe Calderón, na Cidade do México, foi uma demonstração do comprometimento dos EUA em ajudar o México a combater o narcotráfico, que depende de armas vindas dos Estados Unidos. Medidas mais duras para evitar a entrada de armas no México eram uma das reivindicações do presidente Calderón.Obama chegou à Cidade do México ontem à tarde e de lá segue hoje para Trinidad e Tobago, para participar da 5ª Cúpula das Américas. A agenda de Obama no México incluiu um tratado de cooperação em energia limpa e mudança climática. Mas o principal tema foi mesmo a guerra contra o narcotráfico, que causou mais de 10 mil mortes nos últimos dois anos em território mexicano. A situação fez com que o México fosse apontado como um "Estado falido", ao lado do Paquistão, em relatório do Departamento de Defesa no ano passado. A violência do México está ultrapassando a fronteira e passou a ser encarada como questão de segurança nacional pelos Estados Unidos.PRESSÃOO presidente americano pressionará o Senado a ratificar a Convenção Interamericana contra a fabricação ilícita e tráfico de armas, munição e explosivos. O acordo foi negociado pela Organização dos Estados Americanos (OEA) em 1997 e assinado pelo então presidente, Bill Clinton, mas nunca foi ratificado pelo Congresso. Ao anunciar o apoio ao acordo, Obama tenta dar força às medidas do presidente Calderón para combater os cartéis de drogas. "O presidente acredita que agora é um momento importante para pressionar pela ratificação da convenção", disse uma fonte da Casa Branca.O acordo entrou em vigor em 1998 e hoje 33 nações são signatárias. A convenção tem como objetivo reduzir o tráfico de armas com o estabelecimento de um sistema regional para registro de importação e exportação de armas. O acordo também prevê que todas as armas passem por regras estritas de registro e sejam numeradas em sua fabricação, para tornar o rastreamento mais fácil. Além disso, prevê a cooperação entre as polícias dos vários países.O acordo não tinha ficado "esquecido" no Congresso e não deve sofrer muita oposição, a não ser do lobby das armas - que teme que tal medida possa restringir o direito de portar armas nos EUA.Em entrevista coletiva, Calderón voltou a dizer que 90% das armas do México vêm dos EUA e mencionou a necessidade de um veto à venda de armas de assalto. Mas admitiu que se trata de "uma questão política espinhosa" nos EUA. Obama voltou a dizer que é possível fortalecer o combate ao tráfico de armas com as leis já existentes nos EUA.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.