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No México, PF identifica mais 2 brasileiros mortos

O casal Edilsimar Faustino da Silva e Natane Amaral da Silva, do Pará, foi identificado graças à ajuda de peritos enviados ao país no domingo

Vannildo Mendes e Efe, O Estado de S.Paulo

23 de setembro de 2010 | 00h00

BRASÍLIA

A Polícia Federal confirmou ontem a identificação de mais 2 brasileiros, provenientes do Pará, entre os 72 imigrantes ilegais latino-americanos mortos há quase um mês por narcotraficantes no Estado mexicano de Tamaulipas, na fronteira com os Estados Unidos. Com as novas vítimas, sobe para quatro o número de brasileiros mortos na chacina.

Trata-se de Edilsimar Faustino da Silva e Natane Amaral da Silva. Procedente de Marabá, o casal tentava atravessar a fronteira em busca de trabalho no lado americano. No domingo, dois peritos e um papiloscopista foram enviados pela Polícia Federal ao México. Eles ajudarão a identificar os demais corpos e confirmarão se ainda há brasileiros entre eles. A Polícia Federal suspeita que possa haver outros brasileiro entre os 44 corpos ainda sem identificação.

Logo após a chacina, as autoridades mexicanas identificaram as outras duas vítimas, de Minas Gerais: Hermínio Cardoso dos Santos, de 24 anos, natural de Sardoá, e Juliard Aires Fernandes, de 20 anos, de Santa Efigênia de Minas. Os documentos de Santos tinham sido encontrados no local da matança, em uma fazenda na localidade de San Fernando, mas o corpo só foi reconhecido após uma série de exames - como o odontológico e o de impressões digitais.

 

 

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Em um comunicado, o Ministério de Relações Exteriores pediu ontem a parentes e amigos de brasileiros que partiram para a região do massacre e tenham perdido contato com eles que entrem em contato com o Núcleo de Assistência a Brasileiros pelo e-mail dac@itamaraty.gov.br. O Itamaraty pede que parentes forneçam material genético. As informações podem ser úteis na identificação de outras vítimas.

O equatoriano Luis Freddy Lala Pomavilla, que sobreviveu à matança, apesar de ter levado um tiro no pescoço, avisou a polícia sobre as mortes. Um hondurenho, cuja identidade não foi revelada, também está vivo. Ele está sob proteção policial e colabora com as autoridades mexicanas. Pomavilla disse que havia 76 pessoas no grupo com o qual viajava, deixando aberta a possibilidade de que existam mais duas testemunhas para o crime.

Desde a posse do presidente Felipe Calderón, em 2006, a violência relacionada ao tráfico de drogas no México deixou mais de 28 mil mortos, a maioria na região fronteiriça com os Estados Unidos. O governo mexicano destacou 50 mil militares para combater os traficantes e recentemente conseguiu prender vários líderes de cartéis.

PARA LEMBRAR

O massacre de 72 estrangeiros que tentavam entrar ilegalmente nos EUA pela fronteira com o México foi atribuído pelas autoridades mexicanas ao cartel Los Zetas, responsável por boa parte do tráfico de metanfetaminas para o território americano. Além dos quatro brasileiros, morreram na chacina hondurenhos, salvadorenhos, guatemaltecos e equatorianos. De acordo com um sobrevivente, Luis Freddy Pomavilla, eles foram executados depois que não aceitaram trabalhar para o cartel, considerado um dos mais violentos do país.

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