No México, poucos acreditam no fim do mundo

Na escuridão da madrugada desta sexta-feira, espiritualistas prepararam roupas brancas, tambores, conchas e incensos antes do nascimento do sol que, segundo eles, anunciaria o início de uma nova e melhor era com um grande ciclo de 5.125 anos, na medida em que o calendário maia chega ao fim.

AE, Agência Estado

21 de dezembro de 2012 | 10h05

Ninguém tem certeza ao certo sobre o horário no qual o 13º ciclo Baktun vai terminal neste 21 de dezembro. Alguns acreditam que ele já chegou ao fim à meia-noite de quinta-feira, enquanto outros consideram o horário do amanhecer no coração da civilização maia, hoje situado em território mexicano, mas há quem acredite que será mais tarde.

"Espere até a madrugada do dia 22. É quando Maia vai falar", declarou na quinta-feira Rigoberta Menchu, vencedora do prêmio Nobel da paz, na Guatemala, outra região maia.

O Instituto Nacional de Antropologia e História do México chegou até mesmo a sugerir que os cálculos históricos para sincronizar os calendários maia e ocidental pode ter apresentado incorreções e que o ciclo do Longo Calendário Maia pode não se encerrar até domingo.

Independentemente dos detalhes, a oportunidade de saudar a nova era parece ser a principal preocupação entre os celebrantes que se dirigiram para a península do Yucatán. "Muitas pessoas que foram para o local já chamam o episódio de "novo Sol" e "nova era".

"A ponte galáctica já foi estabelecida", anunciou o líder espiritual Alberto Arribalzaga durante a cerimônia de "conexão galáctica" realizada na quinta-feira em Mérida. "O cosmos vai nos levar a um nível mais alto de vibração...no qual a humanidade está em glória e alegria."

Ninguém no local chama o final do calendário de fim do mundo, como algumas pessoas vêm interpretando a questão nos últimos anos, embora arqueólogos e os próprios maias afirmem que o final do 13º Baktun não tem esse significado.

"Ainda teremos de pagar nossos impostos no ano que vem", disse Gabriel Romero, espiritualista de Los Angeles que usa caveiras de cristal em suas cerimônias.

Se os cantos e danças durante a cerimônia da caveira de cristal, realizada na quinta-feira, não encerraram os temores sobre um apocalipse, cientistas também entraram na questão para tentar desmistificar a data.

Bill Leith, conselheiro científico sênior do Instituto de Pesquisa Geológica dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês), disse que até a noite de quinta-feira absolutamente nada fora do comum havia sido detectado nas atividades sísmicas, solares, vulcânicas e no campo geomagnético da Terra.

"Trata-se de um dia bastante comum no planeta e tem sido assim nos últimos dias", afirmou Leith. "Não há grandes erupções ocorrendo." As informações são da Associated Press.

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