No Paquistão, 1.100 talebans formam-se para a guerra santa

Levantando as mãos para o ar sob posters de Osama bin Laden, 1.100 estudantes formaram-se nesta quinta-feira em uma madrassa - escola religiosa islâmica - e prometeram participar de uma guerra santa contra os Estados Unidos no vizinho Afeganistão. A cerimônia na madrassa é um marco na vida dos jovens, cujas idades variam entre o fim da adolescência e pouco mais de 20 anos. "Eu concluí minha instrução e agora irei ao Afeganistão", disse Abdul Manan, de 25 anos, com a cabeça adornada por um novo turbante concedido aos graduados. "Estamos prontos para sacrificar a vida por uma causa nobre." Reunindo garotos de famílias mais pobres, as escolas muçulmanas oferecem um currículo no qual o Corão, livro sagrado do islamismo, é profundamente estudado. As mais conservadoras, como a madrassa Haqqani, em Akora Khattak, são celeiros de recrutamento para grupos militantes em busca de jovens combatentes apaixonados. A madrassa Haqqani, situada na província de Fronteira Noroeste próxima ao Afeganistão, diz que pelo menos 17 líderes regionais do Taleban no país vizinho formaram-se ali. Os jovens estudiosos islâmicos são conhecidos como "taleban" - palavra que significa "aluno" no idioma local -, apesar de o regime islâmico estabelecido no Afeganistão ter adotado a mesma denominação. Ser um jovem taleban não significa necessariamente que o aluno apóia o regime afegão. Também não significa que, ao fazer o juramento, cada um dos alunos empunhará fuzis. Mas é possível observar que a campanha aérea de 12 dias promovida pelos Estados Unidos contra o Afeganistão para que este entregue Osama bin Laden mexeu com o brio dos jovens estudantes. Os certificados na formatura de hoje foram entregues por Maulana Samiul Haq, líder do partido Jamiat Ulema Islam, favorável ao Taleban. Durante a cerimônia, alguns jovens choravam enquanto Haq orava e dizia que Deus puniria os opressores, em clara referência aos Estados Unidos. Ao pedir aos jovens formandos que erguessem a mão direita, o clérigo os conclamou a aderir à luta. "É dever de todos os alunos participar desta guerra santa", declarou. Leia o especial

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