Clemens Bilan/EFE
Clemens Bilan/EFE

No Parlamento alemão, Merkel defende candidato a sucessor em queda nas pesquisas 

Chanceler faz balanço de sua trajetória de 16 anos à frente no poder da Alemanha em um discurso no Bundestag e adverte para a possibilidade de a esquerda ascender ao poder

Redação, O Estado de S.Paulo

07 de setembro de 2021 | 11h26

BERLIM - A chanceler Angela Merkel fez um apelo aos alemães nesta terça-feira, 7, para que respaldem seu futuro sucessor, Armin Laschet, nas eleições nacionais deste mês, enquanto o bloco conservador ver acentuar sua queda nas pesquisas. Merkel fez um balanço de sua trajetória de 16 anos à frente no poder da Alemanha em um discurso no Bundestag, provavelmente o último antes das eleições, e advertiu para a possibilidade de a esquerda ascender ao poder. 

O discurso partidário incomum de Merkel, que até agora permaneceu à margem da campanha como convém, segundo ela, a um líder que está deixando o cargo, pareceu refletir a preocupação crescente com as perspectivas de derrota de seu bloco de centro-direita sob o aspirante Laschet. 

Pesquisas recentes mostram que a coalizão CDU/CSU está em segundo lugar, atrás dos social-democratas de centro-esquerda (SPD), que assumiram a liderança no mês passado graças à popularidade do vice-chanceler Olaf Scholtz, também ministro das Finanças. O partido ambientalista Verde, cuja líder Annalena Baerbock concorre pela primeira vez ao cargo de chanceler, está em terceiro lugar.

O cenário aponta para a possibilidade de diferentes coalizões de governo. À medida que a União Democrata-Cristã (CDU) fica para trás nas pesquisas, seus líderes alertam cada vez mais que Scholz e os Verdes formarão uma coalizão com o partido A Esquerda (Linke), que não gosta da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e se opõe a missões militares no exterior. Scholz não descartou essa possibilidade, mas claramente não é sua opção preferida.

Alertando para a chance de a Alemanha vir a ter um governo de esquerda, Merkel disse que Laschet lideraria uma administração que defende a estabilidade, a confiabilidade, a moderação e o meio-termo. "E é exatamente disso que a Alemanha precisa", disse. Mas a promessa de Laschet de firmeza está falhando em ecoar entre os eleitores preocupados com a mudança climática, a imigração e a pandemia de covid-19. 

Falando depois Merkel, Scholz disse ao Bundestag: "É necessário um novo começo, e espero, tenho certeza, de que será bem-sucedido". 

No domingo passado, em visita a uma das regiões do país devastadas pelas recentes inundações, Merkel já havia manifestado seu apoio "de coração" a Laschet. Ela deve participar do evendo de encerramento da campanha que acontecerá no dia 24 de setembro, em Munique./AP, REUTERS e EFE 

 

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