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No Parlamento, líder brasileiro critica assentamentos

Para Lula, política israelense agrava pobreza dos palestinos e pode causar 'conflitos mais sangrentos'

Denise Chrispim Marin, ENVIADA ESPECIAL / JERUSALÉM, O Estadao de S.Paulo

16 de março de 2010 | 00h00

Depois de sofrer uma reprimenda do governo de Israel, por causa da posição brasileira sobre o Irã, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou duramente o anúncio do governo israelense de expandir assentamentos em territórios palestinos. Diante de cerca de 50 parlamentares e dos principais governantes do país, Lula afirmou que a iniciativa agrava as condições de vida dos palestinos, alimenta "fundamentalismos" e pode causar "conflitos mais sangrentos".

Apresentada na semana passada, essa decisão praticamente desmontou o processo de paz entre Israel e a Autoridade Palestina e causou mal-estar entre o governo israelense e os EUA.

"Essa posição (de não desperdiçar os esforços multilaterais pela paz na região) se faz mais necessária agora, quando assistimos uma paralisação das negociações e iniciativas unilaterais que as dificultam, como o anúncio da construção de residências em Jerusalém (Oriental) às vésperas do reinício de uma rodada de negociações", afirmou Lula, em discurso no Congresso israelense (Knesset).

Ao manifestar essa posição, Lula deixou registrada a principal mensagem de sua visita: que o processo de paz tem de ser levado adiante, mesmo sob pressão de setores mais radicais de ambos os lados, e envolver outros mediadores, além dos EUA.

Principalmente, o Brasil. Segundo o chanceler Celso Amorim, a conclusão desse acordo tende a criar um "círculo virtuoso" na região: incentivar outras negociações de paz, desfazer o cerco psicológico e promover a discussão de um real compromisso de desarmamento nuclear e convencional no Oriente Médio, que inclua o Irã e Israel.

O recado foi expresso por Lula em seu discurso no Knesset e também em seu encontro com o presidente israelense, Shimon Peres, pela manhã.

"Sei que o senhor traz uma mensagem em favor da paz. A sua contribuição será bem recebida", afirmou Peres, com o cuidado de não tocar na ambição brasileira de mediar a solução do conflito. "Pode haver crise, mas não haverá rompimento do processo em si. Vamos superar a crise porque esse processo já está sendo construído e negociado."

De Shimon Peres, ganhador do Nobel da Paz de 1994, Lula ouviu um discreto pedido para entregar ao presidente da Autoridade Palestina (AP), Mahmoud Abbas, o recado de que Israel ainda está empenhado na conclusão de negociações de paz. Lula vai se encontrar com Abbas na tarde de hoje, em Belém.

Peres avalia como maior dificuldade a ausência de um interlocutor único do lado palestino e defendeu a ideia de que os EUA banquem a criação de um Estado palestino, assim como fez com o Estado israelense.

O presidente israelense mencionou ainda a Lula sua ambição de iniciar um processo semelhante com a Síria, assim como já fez com a Jordânia e o Egito. Esse passo foi imediatamente captado como uma oportunidade pelo governo brasileiro, que espera receber neste ano o presidente sírio, Bashar Assad, a quem Lula visitou em 2003.

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