No Pentágono, presidente faz novo apelo por tolerância

Obama homenageia mortos do 11/9 e reitera que os EUA 'não cederão à tentação dos querem dividir os americanos'

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

12 de setembro de 2010 | 00h00

Depois de uma semana com ameaças de queima do Alcorão na Flórida e manifestações violentas no Afeganistão, a cerimônia de aniversário do 11 de Setembro foi marcada por uma trégua. Autoridades americanas deram declarações buscando amenizar o agravamento nas tensões envolvendo ações islamofóbicas e radicais islâmicas nos Estados Unidos e em outras partes do mundo nos últimos dias.

"Nós não nos renderemos ao ódio. Como americanos, nunca estaremos em guerra contra o Islã. Esta é uma época difícil para o nosso país. Nestes momentos, alguns tentam nos dividir se baseando nas nossas diferenças, tentando nos cegar do que temos em comum. Mas hoje lembramos que não cederemos a esta tentação", disse o presidente Barack Obama, que optou por comparecer à cerimônia no Pentágono, também atingido pelos terroristas da Al-Qaeda, minutos depois de os aviões terem sido lançados contra as Torres Gêmeas, em Nova York.

Depois de sofrer pressões do governo americano, o pastor evangélico Terry Jones decidiu suspender a queima de 200 cópias do Alcorão em Gainesville, na Flórida, e viajou para Nova York. Seu objetivo era encontrar-se com o imã Feisal Abdel Rauf, que tem planos de construir um centro comunitário islâmico a dois quarteirões de onde estavam as Torres Gêmeas. Até a noite de ontem, porém, nenhuma reunião entre os líderes religiosos tinha sido confirmada.

A obra tem polarizado a população americana. Opositores, que classificam o centro como uma mesquita, dizem que a construção seria um desrespeito à memória das 2.996 vítimas dos ataques ao WTC, à sede do Pentágono e ao Voo 93, que caiu na Pensilvânia antes de chegar a seu alvo (que seria a Casa Branca ou o Congresso americano).

Os defensores afirmam que seria uma forma de mostrar o caráter pacífico e construtivo do Islã. Acrescentam ainda que o imã Rauf segue uma corrente mais moderada do islamismo.

Para evitar desrespeito às vítimas do terrorismo, protestos dos dois lados foram suspensos. Apesar disso, ao redor do Marco Zero, algumas pessoas manifestavam opiniões a favor e contra a construção do centro, que terá piscina, quadra de basquete, auditório e uma sala de orações.

Em outras partes de Nova York, os habitantes e turistas praticamente ignoravam o 9.º aniversário do 11 de Setembro. Na véspera, as lojas ficaram lotadas durante toda a noite em evento organizado pela New York Fashion Week. Outros se preocupavam mais com as finais do torneio de tênis do US Open, enquanto alguns aproveitavam um dos últimos sábados de sol do verão no Hemisfério Norte.

Na cerimônia no local onde estavam as torres, o nome de todas as vítimas foram lidos conforme ocorre todos os anos. Em seus discursos, o prefeito de Nova Yok, Michael Bloomberg, e o vice-presidente, Joe Biden, evitaram politizar a cerimônia, optando por lamentar a morte das cerca de 3.000 pessoas nos maiores atentados terroristas da História. A primeira-dama, Michele Obama, viajou para a Pensilvânia, onde participou da homenagem aos mortos no Voo 93.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.