RODRIGO CAVALHEIRO/ESTADÃO
RODRIGO CAVALHEIRO/ESTADÃO

No Peru, pesquisas em forma de menu

O jeitinho peruano para divulgar sondagens

Rodrigo Cavalheiro ENVIADO ESPECIAL / LIMA, O Estado de S. Paulo

11 Abril 2016 | 05h00

A premiada gastronomia permeia toda a vida social, mas particularmente a política. Testemunha disso é o candidato Alfredo Barnechea, que sentiu a rejeição popular imediata depois de dispensar um torresmo de porco em uma visita de campanha. O fato coincidiu com seu declínio em pesquisas, nas quais chegou a figurar em segundo lugar. Seu desprezo pelo “chicharrón” foi questionado em entrevistas. “Já tinha comido vários, não aguentava mais”, justificou-se.

Ontem, todos os candidatos cumpriram uma tradição político-gastronômica: tomar o café da manhã ao vivo em rede nacional, em horários alternados para que todos possam aparecer. O oferecido por Barnechea estava repleto de torresmos.

Keiko Fujimori começou o seu às 8 horas, cozinhando uma salsicha de porco, que depois ofereceria a jornalistas. A iguaria, preparada em uma frigideira até se tornar uma pasta alaranjada, a ser servida em um pão redondo, tinha gosto de gordura pura.

“Meu vice-presidente não está comendo porque é vegetariano, não é porque não gosta da minha comida”, brincou Keiko, ao lado do marido americano, das duas filhas e de sua mãe.

Desde quinta-feira, a divulgação de pesquisas de intenção no país esteve proibida. Para burlar o veto, nas redes sociais passou a circular um cardápio em que os principais candidatos ganharam nomes de pratos locais e os preços equivaliam a seus porcentuais nas pesquisas, segundo diferentes institutos, identificados por suas iniciais e associados a tipos de cozinha. 

A origem oriental garantiu a Keiko o nome de Maki Acevichado no menu, divulgado na sexta-feira. O economista Pedro Pablo Kuczynski recebeu o nome de seu mascote de campanha, o cuy, espécie de porquinho da índia que os incas consideravam um prato sagrado. A esquerdista Verónika Mendoza foi batizada de Rocoto Relleno, prato à base de pimenta vermelha. Em quarto lugar, veio Bernechea. Foi chamado afrancesadamente de Espumita Barnaise. Uma alusão a sua resistência ao popular torresmo. 

Mais conteúdo sobre:
Peru menu eleições no Peru

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.