No Peru, 300 mil alunos deixam as aulas para trabalhar por conta da pandemia

Número equivale a 15% de todos os estudantes do país

Redação - O Estado de S.Paulo

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Cerca de 300 mil alunos abandonaram a escola no Peru este ano, por necessidade de trabalhar ou dificuldade de acessar as aulas virtuais em meio à pandemia do coronavírus. 

Embora este ainda não seja um número definitivo, já que o ano letivo só termina em dezembro, o Ministério da Educação estimou que o equivalente a 15% dos estudantes peruanos deixaram de estudar.

Cerca de 300 mil alunos abandonaram o sistema educacional no Peru este ano devido à necessidade de trabalhar ou às dificuldades de acesso a aulas virtuais Foto: Federico Parra/AFP

"A educação não tem sido uma prioridade na pandemia. O alto índice de evasão é um sinal de um sistema educacional precário", disse à Agência France Press o analista Luis Benavente, diretor da consultoria Vox Populi. “Nenhum esforço foi feito para melhorar a educação e a saúde durante esta administração e nos governos anteriores”, acrescentou.

O Peru é um dos países mais atingidos pela pandemia, com 772 mil infecções e 31 mil mortes. Por isso, o governo tem concentrado seus esforços na contenção do vírus e na reativação da economia, em recessão por conta da crise de saúde.

Uma das primeiras medidas para conter as infecções foi suspender as aulas presenciais no dia 12 de março, uma semana após a detecção do primeiro caso de coronavírus no país.

Com o país em quarentena, em abril o ensino a distância começou gradativamente em escolas públicas e privadas e universidades. São mais de dois milhões de crianças em idade escolar e 800 mil estudantes universitários, segundo dados oficiais.

No mesmo mês, o governo lançou o programa “Eu aprendo em casa”, com aulas pela televisão, rádio e internet.

O Ministério da Educação também distribuiu 719 mil tablets com acesso à internet para estudantes rurais e 124 mil para estudantes urbanos.

Uma das primeiras medidas para conter as infecções foi suspender as aulas presenciais no dia 12 de março Foto: Federico Parra/AFP

"Para o campo ou as minas"

No entanto, as tentativas de reforçar a educação esbarraram em uma dura realidade: a alta informalidade do trabalho (70%) levou milhares de adultos e crianças peruanos a desafiar o confinamento para ganhar a vida.

Além disso, a pobreza em que vive um quinto da população privou milhares de alunos de acesso a computadores e à Internet para o ensino virtual. Milhares de lares peruanos não têm água potável.

A própria geografia do Peru conspira contra a educação a distância.

Na Amazônia peruana, “o percentual de alunos que não fazem contato pode chegar a 30%”, disse Cecilia Ramírez, diretora de Educação Básica do Ministério.

Na área do Lago Titicaca, na fronteira com a Bolívia, “mais de 20 mil alunos deixaram de participar das aulas virtuais”, disse o diretor regional de Educação, Mario Benavente.

“O fator que levou ao alto índice de evasão é econômico”, explicou o dirigente à rádio RPP. “Muitos, por falta de trabalho para os pais, têm que se mudar para o campo; muitos vão trabalhar nas minas”, acrescentou.

A própria geografia do Peru conspira contra a possibilidade de milhares de menores da província receberem educação a distância Foto: Federico Parra/AFP

Em Puno, quase 4 mil metros acima do nível do mar, a pastora Raymunda Charca sobe um morro todos os dias com seus quatro filhos - entre 10 e 16 anos - para que possam captar o sinal de seus celulares e receber aulas virtuais.

Nivelamento

Mesmo na próspera região norte de Piura, famosa por suas praias, mais de 58 mil alunos “não estariam recebendo aulas virtuais para a continuação do ano letivo de 2020”, segundo a secretaria regional do Ombudsman.

O sindicato de professores de esquerda SUTEP disse que este ano "mais de um milhão de alunos abandonariam a escola por não poderem ter acesso à educação à distância", mas o ministro da Educação, Martín Benavides, garantiu que são apenas "300 mil alunos fora da educação. "

“Há um desinteresse em acompanhar as aulas virtuais, em se conectar com seus professores, acompanhando a ansiedade e o entendimento de que desde março estão trancados em suas casas cumprindo o isolamento”, disse o ministro, citado pela agência estadual Andina.

Um terço dos 33 milhões de peruanos ainda está em quarentena, embora tenha as restrições tenham sido retiradas em Lima e na maioria das regiões em 30 de junho.

O governo descartou a retomada das aulas presenciais neste ano, mas o ministro anunciou que nas férias de verão haverá um programa de nivelamento para os alunos que estão atrasados ​​ou abandonaram a escola. /AFP

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