No primeira declaração após reeleito, Obama lança apelo por acordo fiscal

Presidente insiste para que republicanos aceitem aumento de impostos para os mais ricos e diminuição da taxação da classe média

DENISE CHRISPIM MARIN , CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

10 de novembro de 2012 | 02h04

Revigorado pela reeleição, na terça-feira, o presidente dos EUA, Barack Obama, exigiu ontem do Congresso a prorrogação imediata da redução de impostos para a classe média e a pequena empresa e a inclusão do aumento da taxação dos mais ricos no acordo fiscal a ser fechado pelo Congresso até 31 de dezembro.

A posição é a mesma defendida por ele nos últimos dois anos e reapareceu ontem como resposta ao tom mais moderado sobre a negociação adotado há dois dias pelo presidente da Câmara dos Deputados, o republicano John Boehner. "Como eu disse terça-feira à noite, o povo americano votou pela ação, e não pela política corriqueira. Você nos elegeu com foco no seu emprego, não no nosso", começou.

"Mas não podemos cortar o caminho para a prosperidade. Se quisermos ser sérios sobre a redução do déficit, temos de combinar receita e despesa, e isso significa pedir aos americanos mais ricos para pagar um pouco mais de impostos. Foi o que o presidente Bill Clinton fez nos anos 90", completou Obama.

A resposta do presidente a Boehner foi o primeiro lance dessa negociação com data precisa para terminar. Sem o pacto até 31 de dezembro, o governo federal será obrigado a adotar um corte automático nos gastos - sobretudo nas áreas social e de defesa - para reduzir o déficit público em US$ 560 bilhões. Se o Congresso prorrogar os benefícios fiscais para os 2% dos americanos com renda superior a US$ 250 mil, o ajuste fiscal terá de recair sobre a classe média, na forma de carga tributária maior.

Trata-se do temido "abismo fiscal", considerado o caminho para uma inevitável recessão nos EUA logo no início de 2013. No pacote a ser negociado pelo governo deverá estar presente também a autorização do Congresso para o aumento do teto de endividamento do governo. Sem essa concessão, Obama começará 2013 sem recursos para efetuar o pagamento de despesas correntes e os compromissos da dívida. Ontem, Obama lembrou já ter sido aprovado pelo Senado um acordo fiscal ponderado e sugeriu aos republicanos da Câmara avalizá-lo. Ao mesmo tempo, apelou para a redução do imposto da classe média.

"Não vamos esperar. Enquanto estamos negociando um pacote de redução do déficit fiscal mais amplo, vamos prorrogar o corte de impostos para a classe média agora. Vamos fazer isso já", apelou o presidente.

Digerida a derrota republicana na disputa presidencial, Boehner reiterou ontem estar aberto ao diálogo com Obama e com os líderes democratas no Congresso para contornar a queda do país no "abismo fiscal". Lembrou ser o custo estimado da ausência de um acordo equivalente a 700 mil empregos em dez anos. No entanto, recolheu um pouco da flexibilidade demonstrada no primeiro pronunciamento sobre o tema, quinta-feira. Ontem, ele insistiu que o aumento de impostos para os mais ricos vai prejudicar a criação de empregos e sugeriu ser mais conveniente apostar na simplificação do código tributário como meio de dar impulso a investimentos produtivos e ao consumo. Com maior atividade econômica, a arrecadação de impostos cresceria.

"Há ainda maioria republicana aqui na Câmara. O povo americano reelegeu a maioria republicana", avisou ele, ao rebater a afirmação de Obama de que a questão central de sua eleição havia sido o aumento da tributação dos mais ricos para permitir investimentos em educação, inovação e obras de infraestrutura.

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