Jason Connolly/AFP
Jason Connolly/AFP

No que prestar atenção quando a votação acabar e a contagem de votos começar nos EUA

O dia da eleição finalmente chegou. O resultado virá rapidamente ou se passarão dias e semanas até conhecermos o vencedor? Aqui estão os sinais

Reid J. Epstein, Annie Karni e Adam Nagourney, The New York Times

03 de novembro de 2020 | 19h57

A noite pela qual os Estados Unidos estavam esperando – e algumas pessoas, temendo – finalmente chegou.

Ao longo de quatro anos, o presidente Donald Trump promoveu uma campanha de reeleição permanente na Casa Branca, na esperança de reeditar sua vitória de 2016. Já os democratas trabalharam para garantir que o presidente que perdera no voto popular por quase 3 milhões de cédulas tivesse apenas um mandato.

A pandemia mudou o que estaria em jogo na eleição e também a maneira como a temporada de campanha se desenrolaria para ambos os candidatos. O ex-vice-presidente Joe Biden se apoiou fortemente na publicidade televisiva e limitou suas aparições em campanha, enquanto Trump tentou prosseguir com comícios ao ar livre que muitas vezes violaram as restrições de saúde locais.

Nada disso deixou os eleitores menos motivados: quase 100 milhões de pessoas votaram antecipadamente, mais de dois terços do número total de votos registrados nas eleições de 2016.

Eis aqui o que devemos observar no dia da eleição.

A contagem começa, enfim

As votações começarão a ser encerradas às 18h no horário da Costa Leste em partes de Kentucky e Indiana, e os primeiros resultados deverão aparecer logo depois. Ambos os estados estão quase garantidos na coluna Trump.

Depois disso vêm alguns estados que podem determinar com antecedência se esta eleição será resolvida na terça à noite – ou se teremos uma longa semana ou (ai!) mês pela frente.

Se Biden vencer na Geórgia, Flórida ou Carolina do Norte, Trump terá um caminho ainda mais estreito para a vitória.

Na Flórida, as urnas começam a fechar às 19h no horário da Costa Leste (a votação em Panhandle, que fica no horário Central, acabará uma hora depois). As autoridades da Flórida já processaram a votação antecipada – recorde no estado –, que se dividiu quase igualmente entre republicanos e democratas. Fique atento para os resultados que serão anunciados logo depois das 20h.

A menos que a margem seja mínima – sabe-se que isso costuma acontecer na Flórida –, há uma boa chance de que o resultado no estado seja conhecido antes de a Costa Leste ir para a cama.

A votação na Geórgia também se encerrará às 19h. Os resultados finais também podem ser conhecidos em poucas horas.

As urnas da Carolina do Norte se fecham às 19h30. A maior parte da votação antecipada já foi contada, então este é outro estado que provavelmente apresentará seu resultado ainda na terça-feira, a menos que a diferença seja muito estreita.

Se Biden não ganhar nenhum desses três estados (ou o Texas, onde a maioria das urnas fecha às 20h), isso aumentará a importância da chamada parede azul da Pensilvânia, Michigan e Wisconsin, que Trump tomou dos democratas em 2016 e onde as pesquisas mostram Biden à frente. Trump precisa segurar apenas um deles para ganhar a reeleição, supondo que ele mantenha o resto de seu mapa de 2016. Trata-se de uma grande suposição: ele tem de defender a vitória em meia dúzia de estados que venceu em 2016 e está ligeiramente atrás em algumas pesquisas na Geórgia e no Arizona.

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Tudo pode acabar na Pensilvânia. A votação no estado se encerra às 20h, mas a Pensilvânia só começará a contar seus votos na manhã de quarta-feira. Espera-se que a votação presencial seja esmagadoramente republicana, então Trump pode abrir uma grande vantagem no início da noite.

Mas não se deixe enganar: a votação antecipada foi esmagadoramente democrata. As pesquisas mostram Biden com uma pequena vantagem na Pensilvânia, embora a surpreendente vitória de Trump em 2016 – e o esforço de sua campanha para mobilizar eleitores que votarão pela primeira vez e que os republicanos dizem que foram ignorados pelas pesquisas – tenha transformado este estado em um dos os grandes mistérios da noite. A contagem total dos votos da Pensilvânia pode levar dias.

As votações em Wisconsin se encerram às 21h no horário da Costa Leste, mas os secretários municipais do estado só começarão a contar os votos antecipados depois de as urnas se abrirem na manhã do dia da eleição; uma corrida apertada pode significar que se passem alguns dias até que o vencedor seja declarado. Em Milwaukee, a maior cidade do estado, as autoridades disseram que não divulgariam os resultados de nenhuma votação antecipada até que todas as cédulas fossem contadas – um processo que provavelmente não terminará antes das 4h da manhã de quarta-feira.

O encerramento final da votação em Michigan também será às 21h, mas a maioria das urnas se fechará às 20h. A votação antecipada também foi maciça no estado, e a contagem desses votos só começou na segunda-feira. É mais um resultado que pode demorar um pouco.

Vale a pena prestar atenção a alguns estados do Oeste que devem fechar as urnas mais tarde: Nevada, que Trump tentou retirar dos democratas, e Arizona, que Biden vem tentando colocar na coluna democrata.

Trump realizará um evento na Sala Leste da Casa Branca

Quatro anos atrás, o supersticioso Trump não tinha um discurso de vitória pronto antes da noite da eleição. Agora, como o presidente não espera um vencedor definitivo na noite de terça-feira e como seus advogados de campanha tentam usar as regras estaduais para interromper a contagem de votos por correspondência após o dia da eleição, Trump não tem planos de fazer qualquer tipo de declaração reconhecendo a vitória do adversário.

Esta postura confiante será testada se Trump perder a Flórida, o que praticamente fecharia seu já estreito caminho para a reeleição. Assessores disseram que esperam que ele declare vitória se ganhar na Flórida, mas não está claro o que essa possível vitória significaria. Vencer na Flórida o manteria na corrida, mas a atenção se voltaria imediatamente para os campos de batalha da Pensilvânia, Wisconsin e Michigan.

Como a própria eleição, os planos de Trump para a noite de terça-feira ainda estão em aberto. A Casa Branca convidou 400 pessoas para o evento da Sala Leste e estava planejando testar todos os convidados para coronavírus. Não se enviou convite oficial para muitos convidados: a secretária do presidente ligou para fazer o convite pessoalmente. Mas as assessores disseram que esperavam muito desgaste e não tinham certeza de quantas pessoas iriam aparecer.

Para Biden, é um dia de esperar para ver

Terça-feira é o dia que Biden vem aguardando desde que começou a pensar em concorrer à presidência, no início dos anos 1980, e não será nada como ele imaginou. Não terá festa, nem alvoroço no escritório central da campanha, nem discurso grandioso para uma sala cheia de apoiadores – seja em caso de vitória, seja em caso de derrota.

Biden jamais imaginou que o ápice de sua carreira política ocorresse durante uma pandemia – muito menos contra um oponente que vem fazendo barulho para declarar vitória antes mesmo que todos os votos sejam contados.

Em um último esforço para ganhar a Pensilvânia, onde a votação antecipada foi baixa, no dia da eleição o ex-vice-presidente fará paradas em Scranton, onde nasceu, e na Filadélfia, onde quatro anos atrás a participação negra foi menor do que o previsto. Espera-se que Biden faça alguma declaração no final da noite de terça-feira ou na manhã de quarta-feira de Wilmington, Delaware. Mas, se o resultado continuar incerto, ele deve esperar.

Não se sabe o que Biden fará se Trump se declarar vencedor antes que haja clareza quanto ao resultado em estados suficientes para se somarem os 270 votos necessários no colégio eleitoral. Depois de uma campanha baseada em grande parte na ideia de retornar às normas presidenciais, Biden sairia muito do personagem se também se declarasse vencedor antes que se conhecesse o resultado em um número suficiente de estados.

A disputa pelo Senado pode ser decidida na terça-feira

O controle do Senado também está entre as grandes questões a serem decididas na terça-feira, mas o resultado pode percorrer um longo caminho antes de definir os contornos do governo federal pelo menos nos próximos dois anos.

Se Biden ganhar a presidência, os democratas precisarão de três cadeiras para assumir o controle do Senado; se Trump for reeleito, precisarão de quatro.

Doze senadores republicanos estão defendendo suas cadeiras; dois senadores democratas também enfrentam desafiantes.

O maior prêmio em disputa é a Geórgia, onde os senadores David Perdue e Kelly Loeffler enfrentam duros testes contra os adversários democratas Jon Ossoff e Raphael Warnock. (Loeffler também encara o desafio do representante republicano Doug Collins em uma primária especial). O estado exige que o vencedor obtenha pelo menos 50% dos votos, ou as disputas serão decididas em um desempate em janeiro.

As pesquisas sugerem que os democratas são os favoritos para ocupar as cadeiras hoje ocupadas pelos senadores Cory Gardner, do Colorado, e Martha McSally, do Arizona, mas devem perder o assento do senador Doug Jones, do Alabama.

As outras grandes disputas se darão no Maine e na Carolina do Norte, onde os senadores republicanos Susan Collins e Thom Tillis enfrentam os democratas Sara Gideon e Cal Cunningham.

O destino da maioria desses candidatos provavelmente está ligado ao resultado da corrida presidencial em seus estados. Em 2016, os candidatos republicanos ao Senado venceram em todos os estados em que Trump ganhou, enquanto os democratas venceram em todos os estados que apoiaram Hillary Clinton. / TRADUÇÃO DE RENATO PRELORENTZOU

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