No Quênia, parentes torcem por Obama

Família de pré-candidato americano vê nele esperanças para seu país

Katy Pownall, Associated Press, Kogelo, Quênia, O Estadao de S.Paulo

09 de janeiro de 2008 | 00h00

No final de uma estrada de terra ladeada por mangueiras, os parentes quenianos do pré-candidato à presidência dos EUA Barack Obama ouviam rádio sentados em cadeiras de plástico ao ar livre, em meio a galinhas ciscando grãos de milho. Pesquisas feitas antes das primárias de New Hampshire, apontando a vitória de Obama no Estado, eram motivo de animação. "Isso tudo é maravilhoso, mas não quero celebrar ainda", disse, precavido, Said Obama, tio de Obama. Kogelo, o vilarejo no oeste do Quênia onde vivia o pai do democrata, foi poupada da violência política e étnica que irrompeu no país africano depois de uma contestada eleição presidencial . Mas a localidade fica a 90 minutos de carro de uma cidade onde casas foram incendiadas e saqueadas. Por isso, Said volta sua atenção tanto para os distúrbios no Quênia quanto para o sucesso do sobrinho nos EUA. Said elogiou o esforço de paz da enviada americana ao Quênia, Jendayi Frazer, que estava na região de sua vila ontem, no fim de uma missão de mediação de quatro dias. Segundo Said, se Obama estivesse no país, "trabalharia com os líderes para trazê-los à mesa de negociação e encontrar uma solução para os problemas que assolam o Quênia". DIÁLOGO COM LÍDERES LOCAISDe fato, Robert Gibbs, porta-voz de Obama, confirmou que o senador conversou com o líder opositor queniano Raila Odinga durante cerca de cinco minutos na tarde de segunda-feira, antes de sair para um comício em New Hampshire. Salim Lone, porta-voz de Odinga, afirmou que Obama expressou "grande preocupação" em relação ao futuro do país e planejava telefonar mais tarde para o presidente queniano, Mwai Kibaki. Em sua última visita ao Quênia, em agosto, Obama fez um discurso televisionado no qual tratou de temas que não costumam ser discutidos abertamente no país. Ele criticou a corrupção e a política tribal que domina o Quênia desde 1963, quando o país se tornou independente da Grã-Bretanha. Ambas as questões estão ligadas à violência pós-eleitoral. "Muita gente se sentou e escutou, mas o governo não gostou", disse o tio de Obama, referindo-se ao pronunciamento do sobrinho. "Ele tocou num ponto que as autoridades quenianas não queriam. A corrupção é endêmica e o tribalismo é evidente - basta observar os ministérios." Said acrescentou que seu sobrinho "mostrou que é um farol de esperança (para o Quênia) e também que, mesmo em circunstâncias difíceis, é possível alcançar o mais alto grau de sucesso apenas com determinação e trabalho duro". ORIGENSO pai de Obama, também chamado Barack Obama, ganhou uma bolsa para estudar numa universidade no Havaí, onde conheceu e se casou com a mãe americana do senador. Os dois se separaram e o pai de Obama voltou para o Quênia, onde trabalhou como economista do governo até morrer num acidente de carro, em 1982.

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