Ben Stansall/Pool via AP
Ben Stansall/Pool via AP

No Reino Unido, resultado será conhecido numa sexta-feira 13

Eleições gerais foram antecipadas por Boris Johnson na tentativa de renovar o Parlamento e conseguir votos para aprovar o Brexit

Celia Froufe, correspondente, O Estado de S.Paulo

11 de dezembro de 2019 | 17h15

LONDRES - Os britânicos vão às urnas nesta quinta-feira, 12, mas o resultado da eleição deverá ser conhecido na madrugada de sexta-feira, 13, uma data que os mais supersticiosos enxergam como um mau presságio do que está por vir para o Reino Unido.

As eleições gerais foram antecipadas pelo primeiro-ministro Boris Johnson, que é apontado como o preferido até o momento, o que leva o pleito a ocorrer durante o inverno e a poucos dias do Natal. Esta é justamente uma das preocupações dos Trabalhistas, que costumam contar com os votos dos mais jovens e temem a baixa presença nas urnas.

Está muito marcado entre os que não gostariam de uma separação do Reino Unido da União Europeia (UE), o chamado Brexit, a abstenção justamente dessa ala do eleitorado, que não acreditava que o divórcio poderia ser a escolha da maioria do país em junho de 2016. Com isso, o resultado do plebiscito pela retirada foi definido por uma margem pequena, de quase 52% contra pouco mais de 48%.

Desde que a campanha teve início, a reportagem do Estadão/Broadcast perguntou a alguns eleitores de diferentes idades e de vários pontos da Inglaterra suas intenções de voto. Nas conversas informais, a maioria disse que não gostaria de ver Johnson continuando a morar em Downing Street, local da residência oficial do primeiro-ministro britânico.

A questão, segundo muitos deles, é que a opção da oposição, o trabalhista Jeremy Corbyn, tampouco agrada. E, na dúvida, é melhor não mexer em time que, de certa forma, está ganhando. Resumidamente, os eleitores poderão escolher nesse pleito se querem um Brexit a partir de janeiro ou voltarem a ser consultados sobre o divórcio com a União Europeia.

BoJo, como é chamado pela imprensa local, promete entregar o divórcio até o fim do mês que vem (“get Brexit done”). Já caso o principal líder da oposição vença, a população sabe que a novela da separação tende a se estender ainda mais porque há a possibilidade de um novo plebiscito e, mesmo que alguns não desejem no fundo se separar da União Europeia, o fato é que a população local está farta das incertezas pelas quais passa nos últimos três anos e meio. É nisso que se fiou a campanha dos conservadores.

Para a cientista política especializada em política europeia e comportamento eleitoral da London School of Economics, Sara Hobolt, a falta de uma posição mais firme de Corbyn tem sido a responsável pelo seu baixo desempenho. "Em termos políticos, um líder tem que assumir uma posição", afirmou.

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Essa indefinição tem levado regiões inteiras, que historicamente votam nos trabalhistas, a indicarem que estão dispostas a mudar de lado no pleito atual. No Twitter, o cientista político Matthew Goodwin resumiu a migração de votos que deve ser vista no dia 12: "O que quer que aconteça na quinta-feira, os conservadores estão caminhando para um de seus resultados mais fortes entre a classe trabalhadora desde os dias de Thatcher".

A novela continua

Mesmo que a escolha por manter Johnson no cargo possa significar alguma celeridade maior no processo, o Brexit não sairá tão cedo do noticiário local e nem das suspensões de decisões cruciais para o país, sobre investimentos e transferência de empresas para outras capitais europeias.

Isso porque é preciso todo um trabalho de negociação entre as partes, mais uma vez do zero, para ver como se darão as relações comerciais com o bloco. Bruxelas já alertou que se o Reino Unido começar a sair das regras financeiras, por exemplo, a sua indústria local, que é hoje o centro europeu, perderá imediatamente o direito de negociar com clientes e instituições além do Canal da Mancha.

O premiê disse que vai aproveitar o prazo de um ano que terá para negociar com o bloco para formar novas parcerias com outros países. Os trabalhistas calculam que, mesmo com os Estados Unidos, um aliado de longa data do Reino Unido, um acordo comercial dificilmente seria colocado em prática em menos de sete anos. Hoje, ele apresentou um discurso mais radical. Pediu votos para que o poder seja devolvido para que o Reino Unido possa "rasgar o livro de regras da UE e escrever um novo para nós".

A busca pela identidade local e soberania é uma arma poderosa. Neste últimos anos, foram vários os sustos dos britânicos. Houve quem estocasse alimentos com medo de não haver abastecimento por causa do Brexit, por exemplo. O Eurostar, trem que liga Londres a Paris, também já passou por dias de caos, quando funcionários da alfândega francesa decidiram fazer uma operação padrão simulando como seria o processo após o divórcio.

O que os dois principais partidos têm mostrado nesta reta final de campanha é um aumento do radicalismo. A expectativa é que, passada a conquista dos votos, seja qual for o vencedor, o governo seja menos extremista.

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