No Rio, Morales critica ameaça à humanidade pelo capitalismo

O presidente da Bolívia, Evo Morales, fez duras críticas nesta sexta-feira ao capitalismo, que considerou uma ameaça à humanidade e classificou como "anticivilização".

REUTERS

28 Maio 2010 | 17h30

Em discurso durante o 3o Fórum Mundial de Aliança de Civilizações, ele afirmou que o mercantilismo difundido pelas nações desenvolvidas coloca em risco a história, a cultura e a organização dos países.

"O que temos hoje é uma anticivilização que quer se sobrepor as civilizações. Eles (os países ricos) usam meios sutis e às vezes não tão sutis, como rádios, tevês e jornais, para transformar as pessoas em meros consumidores que são medidos pelo que tem, e não pelo que são", afirmou o líder de esquerda.

"Essa anticiviliazação criada não tem apego pela história e cultura. Só visa o lucro, a ganância e o único sagrado que existe é o capital", acrescentou.

Para o presidente boliviano, o modelo capitalista, chamado por ele de anticivilização, construído pelos países desenvolvidos está destruindo a humanidade e seus valores.

"Essa anticivilização nos leva à destruição da humanidade, do planeta e da civilização", declarou. "Mercantiliza a todos; natureza, verde, floresta, a guerra... tudo vira mercadoria. A humanidade está em risco da destruição", acrescentou.

Evo Morales afirmou que só a redução da desigualdade social será capaz de reverter a lógica capitalista mundial em vigor.

"O maior desfio que temos no momento é salvar a natureza do capitalismo", afirmou, acrescentando que "não haverá paz no mundo enquanto não houver justiça social".

O presidente lembrou ainda que a história da América Latina foi construída com muito sangue e exploração dos recursos naturais e humanos da região.

Ao lado de líderes europeus, como o primeiro-ministro de Portugal, José Sócrates, Morales ressaltou que durante a colonização das Américas, mais de 70 milhões de índios foram mortos. "As civilizações europeias foram construídas do suor e do saque do ouro e da prata dos nossos povos e nossos recursos naturais", disse.

Mais cedo, a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, também defendeu o fim dos desequilíbrios sociais e uma maior equidade entre os povos. "Defendemos uma sociedade mais equitativa, mais igual, com mais saúde e acesso à educação. Não deveríamos estar mais discutindo isso no século 21", afirmou.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participaram da abertura do evento.

(Por Rodrigo Viga Gaier)

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