Rick Wilking/Reuters
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No último debate, Obama defende sua diplomacia; Romney vê EUA frágeis

Democrata e republicano trocam acusações sobre atentado contra consulado em Benghazi, rumo da Primavera Árabe, crise no Oriente Médio, medidas para inibir o programa nuclear do Irã e discordam a respeito de cortes no orçamento do Pentágono

Denise Chrispim Marin / ENVIADA ESPECIAL / BOCA RATON, FLÓRIDA,

23 de outubro de 2012 | 01h41

BOCA RATON, FLÓRIDA - A apenas 14 dias das eleições do dia 6, o democrata Barack Obama e o republicano Mitt Romney confrontaram-se com agressividade nesta segunda-feira, 22, sobre suas políticas para o Oriente Médio, no último debate da campanha. À beira de um bate-boca, Romney insistiu na adoção de uma "estratégia para os países árabes rejeitarem o extremismo islâmico". Obama tratou de desqualificar, com fatos, os argumentos de seu desafiante e de mostrar que, como chefe de Estado, tem de preservar vidas e não começar uma nova guerra no Oriente Médio.

 

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Romney citou, como exemplo de fragilidade do atual governo em lidar com os desafios impostos pela região, o caso do ataque ao consulado americano em Benghazi, em 11 de setembro. "A Al-Qaeda ainda representa uma ameaça para a América", afirmou Romney.

"Eu estou contente de ouvi-lo dizer que a Al-Qaeda ainda é a maior ameaça aos EUA porque, há pouco, você dizia que era a Rússia", rebateu Obama, ao mencionar uma das máximas de política externa ditas pelo republicano na convenção de seu partido, no final de agosto.

O presidente teve de se defender sobre o episódio de Benghazi, ainda apontado pelos republicanos e por analistas independentes como o resultado de uma falta de avaliação mais minuciosa das condições de segurança no consulado.

Quatro funcionários do Departamento de Estado morreram no episódio, entre os quais o embaixador na Líbia, Christopher Stevens. "Apesar da tragédia, milhares de líbios marcharam dizendo que a América era um país amigo. A sua estratégia não serve para fazer do Oriente Médio uma região mais segura", insistiu Obama. "O que vimos foi a aparição de mais jihadistas nos últimos quatro anos", contra-atacou o republicano.

No balneário de Boca Raton, no Estado ainda indefinido da Flórida, ambos iniciaram às 23 horas de ontem (horário de Brasília) o derradeiro debate da campanha presidencial, centrado em um tema de importância secundária para o eleitor: a política externa e de defesa dos EUA nos próximos quatro anos.

Fiéis a seus estilos, cada um tentou se vender ao eleitor ainda indeciso e cansado de guerras como o melhor comandante-chefe da mais poderosa força militar e formulador da relação dos Estados Unidos com o mundo.

Reação. Depois da apatia no primeiro debate, em Denver, e de sua recuperação no segundo, em Hempstead, Obama teria no debate de ontem a vantagem de tratar do tema de maior prestígio de seu governo. O atual presidente tem como méritos a operação de execução de Osama bin Laden, líder da Al-Qaeda, o fim da guerra do Iraque, em 2011, o calendário de retirada das forças americanas do Afeganistão, em 2014, e o apoio, mesmo que tardio, à Primavera Árabe.

Romney, ex-governador por um único mandato em Massachusetts, não teve experiências nesse campo a exibir.

Sua iniciativa de viajar para a Inglaterra, Polônia e Israel, em julho, resultou em uma série de gafes internacionais. Ao contrário do debate anterior, aberto para perguntas da plateia e com os candidatos livres para se movimentar no palco, o de ontem foi estático. Obama e Romney sentaram-se diante do moderador Bob Schieffer, da rede de televisão NBC.

O formato, em princípio, evitaria o choque direto entre os dois rivais. O debate ocorreu em um momento crítico da campanha presidencial. Não apenas pelo curto período até as eleições do dia 6, mas também pelos fatos de a votação antecipada já ter começado em 30 Estados e de ambos os candidatos estarem empatados nas pesquisas de opinião. A estimativa era a de que pelo menos 60 milhões de americanos vissem o embate.

 

 

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