No último debate, Obama defende sua diplomacia; Romney vê EUA frágeis

A apenas 14 dias das eleições do dia 6, o democrata Barack Obama e o republicano Mitt Romney confrontaram-se com agressividade ontem sobre suas políticas para o Oriente Médio, no último debate da campanha.

DENISE CHRISPIM MARIN , ENVIADA ESPECIAL , BOCA RATON, FLÓRIDA, O Estado de S.Paulo

23 de outubro de 2012 | 03h01

Pesquisa da CBSNews com eleitores indecisos apontou Obama como o vencedor do debate para 53% dos entrevistados. Romney venceu para 23% e 24% viram um empate entre os dois.

À beira de um bate-boca, Romney insistiu na adoção de uma "estratégia para os países árabes rejeitarem o extremismo islâmico". Obama tratou de desqualificar, com fatos, os argumentos de seu desafiante e de mostrar que, como chefe de Estado, tem de preservar vidas e não começar uma nova guerra no Oriente Médio.

Romney citou, como exemplo de fragilidade do atual governo em lidar com os desafios impostos pela região, o caso do ataque ao consulado americano em Benghazi, em 11 de setembro. "A Al-Qaeda ainda representa uma ameaça para a América", afirmou Romney.

"Eu estou contente de ouvi-lo dizer que a Al-Qaeda ainda é a maior ameaça aos EUA porque, há pouco, você dizia que era a Rússia", rebateu Obama, ao mencionar uma das máximas de política externa ditas pelo republicano na convenção de seu partido, no final de agosto.

O presidente teve de se defender sobre o episódio de Benghazi, ainda apontado pelos republicanos e por analistas independentes como o resultado de uma falta de avaliação mais minuciosa das condições de segurança no consulado. Quatro funcionários do Departamento de Estado morreram no episódio, entre os quais o embaixador na Líbia, Christopher Stevens. "Apesar da tragédia, milhares de líbios marcharam dizendo que a América era um país amigo. A sua estratégia não serve para fazer do Oriente Médio uma região mais segura", insistiu Obama. "O que vimos foi a aparição de mais jihadistas nos últimos quatro anos", contra-atacou o republicano.

O republicano também afirmou que o Irã, que qualificou de a maior ameaça à segurança dos EUA, está a apenas quatro anos de obter uma arma atômica. Obama respondeu que, durante seu governo, Teerã jamais obterá uma bomba nuclear.

Romeny também disse que denunciaria a China por "manipulação da moeda" e por roubar patentes americanas.

No balneário de Boca Raton, no Estado ainda indefinido da Flórida, ambos iniciaram às 23 horas de ontem (horário de Brasília) o derradeiro debate da campanha presidencial, centrado em um tema de importância secundária para o eleitor: a política externa e de defesa dos EUA nos próximos quatro anos.

Fiéis a seus estilos, cada um tentou se vender ao eleitor ainda indeciso e cansado de guerras como o melhor comandante-chefe da mais poderosa força militar do mundo.

"Eu acho que o governador talvez não tenha tido tempo suficientepara olhar como funciona nosso Exército. Você menciona a Marinha e o fato de termos menos navios do que tínhamos em 1916. Bem governador, também temos menos cavalos e menos baionetas também. A natureza das Forças Armadas mudou", reagiu Obama à crítica de Romney de que a frota marítima é a menor 1916.

Depois da apatia no primeiro debate, em Denver, e de sua recuperação no segundo, em Hempstead, Obama tinha no debate de ontem a vantagem de tratar do tema de maior prestígio de seu governo, que tem como méritos a operação de execução de Osama bin Laden, líder da Al-Qaeda, o fim da guerra do Iraque, em 2011, o calendário de retirada das forças americanas do Afeganistão, em 2014, e o apoio, mesmo que tardio, à Primavera Árabe. Romney, ex-governador de Massachusetts, não teve experiências nesse campo a exibir.

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