Foo: Brendas Smialowski/AFP
Foo: Brendas Smialowski/AFP

No último dia da campanha,Trump questiona Suprema Corte: ‘algo precisa ser feito’

Nesta segunda-feira, o presidente e candidato à reeleição questionou a possibilidade de Estados receberem votos após a eleição e acusou a Corte de ter tomando decisões políticas, que podem 'induzir à violência nas ruas'

Redação, O Estado de S.Paulo

03 de novembro de 2020 | 09h24

O presidente Donald Trump desferiu ataques à Suprema Corte dos Estados Unidos nesta segunda-feira, 2, em diversas oportunidades ao longo do último dia inteiro de campanha antes da eleição. Trump acusou a Corte de “colocar nosso país em perigo” com uma decisão de sexta que, ao menos pelo momento, permitiu que a Pensilvânia continue recebendo cédulas pelo correio até depois da eleição. 

Durante um comício em Kenosha, no Wisconsin, o presidente afirmou à plateia, sem fundamentos, que os juízes tomaram uma decisão política que levaria a fraude por parte de seu adversário, o ex-vice-presidente Joe Biden. Seu comentário se seguiu a uma postagem pelo Twitter na qual ele alegou - sem fornecer qualquer prova - que a decisão da Corte permitiria “a trapaça desenfreada" e "induziria à violência nas ruas". “Algo precisa ser feito”, concluiu. 

O Twitter rapidamente classificou a afirmação do presidente como potencialmente falsa, apontando que "alguns ou todos os conteúdos compartilhados neste Tweet são contestáveis e podem ter informações incorretas”.

As observações do presidente em Wisconsin ecoaram seus comentários anteriores, em Avoca, na Pensilvânia, onde ele sugeriu, enigmaticamente, que a decisão da Suprema Corte poderia ser “fisicamente perigosa”, sem explicar o que queria dizer com isso. 

O democrata Tom Wolf, governador da Pensilvânia, depois respondeu Trump no Twitter, prometendo que “a Pensilvânia não será intimidada” e dizendo ao presidente: “pode nos assistir contando cada voto e tendo uma eleição justa”. 

Durante meses, Trump alegou falsamente que os votos pelo correio estão sujeitos a fraudes, apesar de evidências de que isto não é verdade. Nos últimos dias de campanha, o presidente focou na Pensilvânia, onde os republicanos desafiaram legalmente o planejamento do Estado de aceitar votos de ausentes por até três dias após o pleito. 

Na sexta, a Suprema Corte negou um pedido dos republicanos no Estado para que a Corte adiantasse a decisão sobre se autoridades eleitorais poderiam continuar recebendo os votos de ausentes por três dias depois desta terça. Os juízes afirmaram que a Corte poderia revisitar o caso após a eleição. 

O comentário de Trump sobre o tribunal vieram quando ele fez seu último discurso para eleitores. Ele também passou a segunda fazendo criticando as pesquisas, a imprensa, o ex-presidente Barack Obama, Hillary Clinton e a investigação sobre uma interferência russa na eleição de 2016. 

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No primeiro comício, ao falar para apoiadores em Fayetteville, na Carolina do Norte, Trump mencionou o coronavírus brevemente, para questionar a China, e para clamar ao governador que abrisse o Estado. Ele se concentrou numa reclamação extensa sobre o que seriam pesquisas patrocinadas pela mídia. A multidão permaneceu em silêncio durante boa parte do tempo. Ele finalmente diminuiu o ritmo, dizendo: "Espero não ter entediado vocês".

Virando-se para uma série de reclamações conhecidas, ele zombou da investigação de dois anos sobre uma possível conspiração entre sua campanha e as autoridades russas; sugeriu que todos na mídia e entre seus críticos eram “corruptos”; e chamou seu antecessor, Obama, e sua oponente em 2016, Sra. Clinton, de "criminosos".

Em Kenosha, Trump  continuou a aumentar sua já longa lista de reclamações quando foi forçado a usar um microfone de mão depois que várias tentativas de consertar o que estava em seu púlpito falharam. “Este é o pior microfone que já usei na vida”, disse ele, claramente irritado. Ele prometeu que, por causa das falhas de áudio, devolveria a todos “metade do preço do ingresso.

“Mas, considerando que você não pagou nada”, disse ele, “sinto muito”.

Trump terminou o dia da maneira como começou, com um grande comício cheio de apoiadores e um discurso cheio de digressões e queixas em Grand Rapids, Michigan, local de seu último comício em 2016.

Em determinado momento, ele se direcionou a seus filhos adultos que estavam viajando com ele e que realizaram eventos por conta própria no país, e disse: "não importa o que aconteça, estou muito orgulhoso de todos vocês." Depois de um tempo, acrescentou: "mas se não vencermos, nunca mais falarei com vocês".

Depois, durante discurso, Trump reproduziu um vídeo dos tropeços verbais de Biden e pareceu contemplar como seria uma derrota.

"Que desastre. Não consigo acreditar que isso esteja acontecendo ”, disse Trump, acrescentando:“ O conceito de perder para esse cara! É melhor vocês votarem amanhã.”/NYT

 

 

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