Nobéis da Paz advertem sobre injustiça global

Num momento de intensa violência no Oriente Médio e uma luta global contra o terrorismo, o presidente sul-coreano, Kim Dae-jung, e outros agraciados com o Prêmio Nobel da Paz sublinharam hoje a necessidade de combater a pobreza e proteger os direitos humanos."Guerras começam na mente dos homens. Eliminemos os pensamentos de guerra de nossas mentes", disse o líder sul-coreano na abertura de um simpósio de três dias que conta também com a participação do dalai lama, Desmond Tutu, David Trimble, Lech Walesa e outros agraciados com o Nobel.O Prêmio Nobel da Paz de 2001 será entregue na segunda-feira junto com o equivalente a US$ 940 mil às Nações Unidas ao secretário-geral, Kofi Annan.Kim, que ganhou o prêmio no ano passado pelos esforços de reconciliação na Península Coreana, advertiu que a divisão entre os ricos e os pobres está aumentando. "Temos testemunhado a revolta causada pelo fosso entre ricos e pobres na divisão digital mundial da era da informação", afirmou.Kim também reconheceu que as relações entre as Coréias do Sul e do Norte estão num "impasse" mas disse estar confiante em que o diálogo vá prosseguir. "A paz na Península Coreana não é o desejo apenas das 70 milhões de pessoas lá, é o desejo do mundo", afirmou o ex-prisioneiro político.O Instituto Nobel Norueguês convidou todos os 39 agraciados com o Nobel da Paz ainda vivos ou representantes de organizações ganhadoras para suas celebrações de centenário antecedendo a cerimônia de segunda-feira.O presidente da Anistia Internacional, Colm O´Cuanachain, que recebeu o prêmio em 1977, acusou países de ignorar os direitos humanos na luta antiterrorista desde os atentados de 11 de setembro nos Estados Unidos."Governos, inclusive governos que são democráticos, estão começando a restringir liberdades civis e direitos humanos, ostensivamente para promover a segurança", disse O´Cuanachain, que evitou entrar em detalhes.Ele afirmou que membros das Nações Unidas têm sido "vergonhosamente silenciosos enquanto parlamentos eliminam garantias dos direitos humanos sobre as quais suas nações foram erguidas". "O mundo não precisa de uma guerra contra o terrorismo; ele precisa de uma guerra pelos direitos humanos", disse.Doenças e outras razões não permitiram a participação no simpósio no hotel Holmenkollen de vários vencedores do Nobel da Paz, incluindo os ex-líderes soviético, Mikhail Gorbachov, e da África do Sul, Nelson Mandela.O ex-presidente sul-africano F.W. de Klerk, que dividiu o prêmio de 1993 com Mandela pelos esforços para acabar com o apartheid, cancelou participação após sua ex-mulher, Marike, ter sido encontrada estrangulada em casa na Cidade do Cabo.Após os recentes atentados suicidas cometidos por grupos palestinos e os ataques retaliatórios de Israel, o líder palestino Yasser Arafat e Shimon Peres, atual chanceler israelense, não eram esperados. Eles dividiram em 1994 o Nobel da Paz com o ex-primeiro-ministro Yitzhak Rabin. Os prêmios Nobel, concedidos pela primeira vez em 1901, são anunciados durante o outono boreal e sempre são entregues em 10 de dezembro, data em que seu benemérito criador sueco, Alfred Nobel, morreu em 1896. Os outros prêmios Nobel - literatura, medicina, física, química e econonmia - são anunciados no mesmo dia em Estocolmo, na Suécia, onde este ano mais de 160 laureados são esperados para uma celebração do centenário.

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