REUTERS/Denis Balibouse
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Nobel da Paz deve alertar governos de que uso de armas nucleares é ‘ilegal’, dizem ganhadores

Em entrevista ao 'Estado', a diretora-executiva da Campanha Internacional para Abolição das Armas Nucleares afirmou que premiação é uma resposta à preocupação de que esses armamentos podem causar um ‘impacto catastrófico, amplo e de longo prazo para as pessoas e o planeta’

Jamil Chade, correspondente / Genebra, O Estado de S.Paulo

06 Outubro 2017 | 08h39

GENEBRA -  O risco de uma guerra nuclear é real e o Nobel da Paz deve servir como um alerta aos governos de que o uso de tais armas é “ilegal”. A declaração é de Daniel Hogsta, representante da Campanha Internacional para Abolição de Armas Nucleares. Em sua primeira reação após ser informado de que foram os ganhadores do prêmio neste ano, o grupo com sede em Genebra insiste na necessidade de que o mundo abandone as armas nucleares e aponta que "o espectro de uma guerra nuclear paira" sobre o planeta.

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Ao Estado, Hogsta destacou o fato de o Brasil ter sido o primeiro a assinar o tratado internacional que proíbe tais armas, em setembro deste ano. “Foi um ato de extrema importância da parte do Brasil”, insistiu. Ele indicou que o pacto é histórico e oferece “esperança em um mundo no qual ameaças de destruição em massa são autorizadas a prevalecer e até escalar”.

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“Este é um momento de enorme tensão global, quando a retórica pode facilmente levar a um horror sem palavras”, alertou. “O espetro da guerra nuclear paira uma vez mais sobre nós. Se há algum momento no qual as nações devam declarar sua oposição às armas, é este”, disse Hogsta. “Pedimos que todos assinem. (...) Antes que seja tarde, precisamos tomar esse caminho de um mundo livre de armas nucleares. Vivemos um momento de crise alarmante.”

A pequena entidade que sequer conta com uma sede própria chegou a pensar que a notícia de que havia recebido o prêmio era falsa. “Recebemos uma ligação, mas optamos por esperar até o anúncio oficial”, confessa a diretora-executiva da entidade, Beatrice Fihn. O grupo é, na realidade, o ponto central de dezenas de organizações civis pelo mundo que tem o mesmo objetivo.

“Ao reunir o poder das pessoas, trabalhamos para trazer ao fim as armas mais destrutivas jamais criadas”, disse. “Trata-se de uma arma que coloca a existência da humanidade em risco.” Na avaliação de Beatrice, o prêmio é um “tributo aos esforços de milhões de ativistas e cidadãos pelo mundo que, desde o início da era atômica, protestam contra essas armas e elas precisam ser banidas do mundo”.

Para o grupo, o prêmio também é um reconhecimento aos sobreviventes de Hiroshima e Nagasaki, além das vítimas de testes nucleares pelo mundo.  

Beatrice ressalta, porém, que o recado político do prêmio deve pesar. “O tratado que foi assinado torna essas armas ilegais e estabelece um caminho para sua total eliminação”, disse. “É uma resposta à preocupação cada vez maior da comunidade internacional de que qualquer uso dessas armas teria um impacto catastrófico, amplo e de longo prazo para as pessoas e o planeta”, explicou ela.

“Qualquer nação que busque um mundo mais pacífico, livre da ameaça nuclear, terá de assinar e ratificar esse tratado sem demora”, insistiu. “A crença de alguns governos de que essas armas são legítimas e essenciais para segurança é falsa e perigosa (...). Eles incitam a proliferação e minam o desarmamento. Todas as nações devem rejeitar essas armas completamente, antes que sejam usadas de novo.”

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