Mulugeta Ayene / AP
Mulugeta Ayene / AP

Nobel da Paz: Entenda a relação de hostilidade entre Etiópia e Eritreia

Premiê etíope ganhou o Nobel da Paz deste ano por seus esforços em resolver o conflito entre os dois países

Redação, O Estado de S.Paulo

11 de outubro de 2019 | 11h29

A reconciliação entre Etiópia e Eritreia, pela qual o primeiro-ministro etíope, Abiy Ahmed, recebeu o Prêmio Nobel da Paz nesta sexta-feira, 11, ocorreu em 2018, após 30 anos de guerra da independência e hostilidades. Entenda o assunto abaixo.

Independência da Eritreia

Em 1962, o imperador etíope Haile Selassie anexou a Eritreia, então entidade autônoma federada da Etiópia.

Em maio de 1991, após 30 anos de guerra contra o poder central, os rebeldes da Frente Popular de Libertação da Eritreia (FPLE) se aliaram à Frente Popular de Libertação de Tigré (FPLT) de Meles Zenawi, capturaram Asmara e instalaram um governo liderado pelo presidente Isaias Afeworki. Os rebeldes haviam participado da derrubada do regime de Megistu Haile Mariam, em Adis Abeba. 

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A Eritreia se tornou oficialmente independente no dia 24 de maio de 1993. Por meio de um acordo entre o FPLE e o FPLT, o país recuperou o controle dos portos de Massawa e Assab, deixando a Etiópia sem acesso ao Mar Vermelho.

Conflito sangrento

Em maio de 1998, os dois vizinhos entraram em guerra por algumas centenas de quilômetros de deserto ao longo de sua fronteira comum.

A Eritreia acusou a Etiópia de ter alterado a linha da fronteira em cerca de 1 mil km, o que não ficou claro com a independência. Os etíopes, por outro lado, acusaram os eritreus de violar seu território ao invadir Badme, noroeste da Etiópia.

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Passados dois anos, após o fracasso das negociações, a Etiópia lançou uma vasta ofensiva.

Um acordo de paz, assinado em dezembro de 2000 em Argel, encerrou o conflito que deixou 80 mil mortos. Uma zona de segurança temporária de 25 km de extensão foi estabelecida na fronteira e supervisionada pela ONU.

Mediação internacional 

Em abril de 2002, em colaboração com o Tribunal Internacional de Arbitragem de Haia, uma comissão encarregada de delimitar a nova divisão estabeleceu territórios para cada parte, atribuindo a região disputada de Badme à Eritreia. A decisão foi considerada "totalmente ilegal e injusta" pela Etiópia.

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No fim de 2004, a Etiópia declarou aceitar o princípio do acordo e exigiu ajustes, o que a Eritreia rejeitou. A ocupação da cidade de Asmara e a necessidade de se defender da Etiópia foram argumentos utilizados pelo presidente Isaias, no poder desde 1993, para justificar um dos regimes mais repressivos do mundo.

Em 2005, foram registrados movimentos constantes de tropas na área de fronteira. Confrontos periódicos faziam temer o ressurgimento de um conflito em larga escala.

A paz 

Em junho de 2018, o novo primeiro-ministro etíope, Abiy Ahmed, que iniciou reformas sem precedentes, anunciou sua disposição de encerrar a disputa.

A Etiópia estava aberta a implementar o acordo de paz de 2000 e as conclusões da comissão na fronteira.

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No dia 8 de julho, foi realizada em Asmara uma reunião histórica entre Ahmed e o presidente da Eritreia, algo impensável algumas semanas antes.

No dia seguinte, os dois líderes assinaram uma declaração comum que encerrou o estado de guerra. Em 16 de setembro, Etiópia e Eritreia assinaram um acordo de paz na Arábia Saudita. / AFP

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