Nobel da Paz indiano quer 'unir as mãos' com Malala

Kailash Satyarthi dedicou prêmio às crianças vítimas da escravidão

O Estado de S. Paulo

10 de outubro de 2014 | 11h13

NOVA DÉLHI - O indiano Kailash Satyarthi dedicou o Prêmio Nobel da Paz - que compartilhou nesta sexta-feira, 10, com a adolescente paquistanesa Malala Yousafzai - às crianças vítimas da escravidão, prometendo "unir as mãos" com a ativista paquistanesa, num momento em que Índia e Paquistão voltam a se enfrentar pelo território da Caxemira.

Aos 60 anos, o ativista em defesa dos direitos das crianças foi reconhecido por sua luta contra o tráfico infantil por meio do Bachpan Bachao Andolan (Movimento Salve as Crianças), um grupo que fundou em 1980 depois de abandonar seu emprego de engenheiro eletricista.

"É uma grande declaração do comitê do Nobel, em vista da situação atual entre Índia e Paquistão", declarou Satyarthi aos repórteres que cercaram seu escritório em Nova Délhi após o anúncio da honraria em Oslo.

"Além de nossa luta contra a escravidão infantil e a ameaça de analfabetismo no subcontinente e no mundo, nós dois esperamos poder lutar pela paz", disse ele em referência a Malala, que faz campanha para que meninas tenham direito à educação e, aos 17 anos, se tornou a mais jovem vencedora de um prêmio Nobel.

"Vou conversar com Malala em breve. Conheço-a, e irei convidá-la a unir as mãos para trazer paz ao nosso subcontinente – uma necessidade para as crianças, para cada indiano, cada paquistanês, cada cidadão do mundo."

Há mais de uma semana, Índia e Paquistão vêm trocando tiros através da fronteira da Caxemira, o que resultou na morte de nove paquistaneses e oito indianos, no pior episódio de violência entre os dois países em mais de uma década.

O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, que endureceu sua postura com o Paquistão desde que assumiu o cargo, parabenizou Satyarthi.

Pelo Twitter, Modi disse: "Kailash Satyarthi vem dedicando sua vida a uma causa que é extremamente relevante para toda a humanidade. Saúdo seus firmes esforços".

Satyarthi estima que mais de 60 milhões de crianças indianas, ou 6% da população, são forçadas a trabalhar, e ofereceu seu Nobel a elas. "É uma honra para todas as crianças que ainda sofrem na escravidão, no trabalho forçado e no tráfico", declarou ele ao canal de televisão CNN-IBN.

"Não se trata só da Índia", afirmou aos repórteres. "É um crime contra a humanidade privar uma criança da infância. A humanidade está em jogo." / REUTERS

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