Nobel da Paz pede a Obama prioridade com Oriente Médio

O diplomata finlandês e mediador Martti Ahtisaari, vencedor do Prêmio Nobel da Paz de 2008, pediu hoje que o presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, faça do conflito no Oriente Médio sua "prioridade máxima". Ele qualificou a situação na área como o mais desafiador projeto para a construção da paz no mundo. Ahtisaari recebeu hoje o Prêmio Nobel por três décadas de trabalho em função da paz pelo mundo, incluindo a Namíbia, Kosovo e a Indonésia.Ahtisaari foi presidente da Finlândia entre 1994 e 2000, quando não quis concorrer à reeleição. Ao deixar a política, o finlandês fundou a Crisis Management Initiative, um instituto de mediação para a paz.Em um discurso após receber o prêmio, em Oslo, Ahtisaari insistiu que "todos os conflitos podem ser resolvidos" e que o conflito entre israelenses e palestinos não deve durar indefinidamente. "Não podemos simplesmente, ano após ano, fingir fazer algo para ajudar a situação no Oriente Médio. Nós precisamos de resultados."O diplomata não pediu um papel como mediador do conflito, e disse que isso estava em boas mãos, citando o enviado da União Européia para o tema, Tony Blair. Em seu discurso ao receber a distinção, Ahtisaari afirmou que as religiões são amantes da paz e podem ter um papel importante como força construtiva na resolução de conflitos.Ao escolher Ahtisaari, o comitê de premiação voltou-se para o trabalho tradicional pela paz, após premiar Al Gore e o painel da ONU para mudanças climáticas (IPCC) no ano passado.Ahtisaari foi diplomata de carreira até 1977, quando foi nomeado enviado especial da ONU para a Namíbia, onde guerrilhas combatiam o Apartheid da África do Sul. Depois tornou-se vice-secretário-geral da ONU e em 1988 voltou à Namíbia, para liderar uma força de mantenedores de paz de 8 mil homens, durante a transição do país para a independência."Uma redução na assistência e investimento estrangeiros seria desastroso para o tão necessário crescimento econômico", apontou Ahtisaari, referindo-se à crise econômica internacional. "Eu peço a todos os governos que permaneçam comprometidos com seus objetivos assumidos de erradicar a pobreza."

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