Nobel da Paz pode não ser entregue este ano

Parentes de Liu Xiaobo, que está preso, não confirmaram presença na entrega; organização denuncia pressão chinesa para não comparecimento

AP e REUTERS, O Estado de S.Paulo

19 de novembro de 2010 | 00h00

OSLO

O Prêmio Nobel da Paz de 2010 poderá não ser entregue por causa da recusa do governo chinês em permitir que familiares do ativista Liu Xiaobo, ganhador deste ano, saiam do país para comparecer à cerimônia. A organização da premiação veio ontem a público denunciar ainda que Pequim está exercendo uma pressão "sem precedentes" para que representantes de países não compareçam à entrega.

De acordo com as regras do Nobel, apenas o ganhador ou parentes próximos podem receber as 10 milhões de coroas norueguesas (U$ 1,46 milhão) e a medalha do prêmio.

Indignada com a indicação de um dissidente, porém, a China vem reprimindo seus familiares. O ativista não pode viajar à Noruega porque cumpre pena de 11 anos por ter colaborado na autoria de um apelo que pedia reformas no sistema político chinês. Sua mulher, Liu Xia, foi posta em prisão domiciliar e está sob escolta desde que o marido foi anunciado ganhador, mês passado.

Segundo Geir Lundestad, secretário do comitê do Nobel, até ontem, nenhum parente havia anunciado planos de ir a Oslo para a cerimônia de 10 de dezembro. Se isso acontecer, será a primeira vez desde 1936.

Os embaixadores de Cuba, Rússia, Casaquistão, Marrocos e Iraque recusaram o convite . "A (pressão da) China é o único fator para isso", disse Lundestad. Um diplomata asiático disse que Vietnã, Filipinas e Indonésia também não atenderão à cerimônia. Até ontem, 16 dos 58 países convidados não haviam confirmado presença.

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