Nobel da Paz propõe reconciliação à Junta Militar de Mianmar

Proposta surgiu após reunião com enviado especial das Nações Unidas, Ibrahim Gambari

Efe

09 de novembro de 2007 | 03h18

A líder oposicionista de Mianmar e Nobel da Paz, Aung San Suu Kyi, ofereceu uma nova via de diálogo e reconciliação nacional à Junta Militar, depois de se reunir com o enviado especial das Nações Unidas ao país, Ibrahim Gambari, na quinta-feira, 8.   Um comunicado do seu partido, a Liga Nacional para a Democracia (LND), detalhou que a oferta é de um diálogo "regular, significativo e limitado no tempo", informou nesta sexta-feira, 9, a imprensa de Cingapura. Também devem participar das conversas as outras forças da oposição democrática e representantes dos grupos étnicos.   "No interesse da nação, estou disposta a cooperar com o governo para que o processo seja bem-sucedido", disse Suu Kyi. A mensagem foi divulgada por Gambari, que chegou a Cingapura depois de encerrar a sua visita a Mianmar.   A líder da oposição democrática foi autorizada a manter nesta sexta-feira, 9, um encontro com os dirigentes do seu partido, pela primeira vez, após mais de quatro anos de prisão domiciliar.   Antes da sua reunião com Suu Kyi, em Rangun, o emissário da ONU conversou com o presidente do partido, Aung Shwe, e dois membros do comitê executivo, U Lwin e Nyunt Mai, em Napydaw, a capital do país, segundo fontes da própria LND.   Em diversas cidades do país, grupos antigovernamentais tentaram promover novos protestos na quinta-feira, 8, com a distribuição de panfletos.   As Nações Unidas comemoraram os resultados da visita. Mas o diplomata nigeriano fracassou em duas missões. Ele tentava se reunir com o chefe da Junta Militar, o general Than Shwe, e manter um encontro com Suu Kyi e o ministro do Trabalho, Aung Kyi, o interlocutor oficial entre o regime e a oposição.   A proposta de Gambari foi considerada "prematura" pela imprensa oficial, que acusou depois a ONU de interferir nos assuntos internos de Mianmar e de servir aos interesses dos Estados Unidos. Mianmar (antiga Birmânia) é governada por militares desde 1962 e não realiza eleições parlamentares desde 1990. Na ocasião, o partido oficial perdeu para a LND. Mas os resultados jamais foram reconhecidos pelos generais.

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