Nobel guardará dinheiro de dissidente chinês preso

Organização diz que não é a primeira vez que vai esperar para dar prêmio; birmanesa laureada em 1991 ainda não o recebeu

, O Estado de S.Paulo

09 de outubro de 2010 | 00h00

A entrega do Prêmio Nobel da Paz ao dissidente Liu Xiaobo promete se transformar em mais uma batalha diplomática para a China. O premiado em 2010 é o primeiro da história a estar em uma prisão, isolado. A mulher de Xiaobo, Liu Xia, dificilmente será autorizada a deixar a China para receber o prêmio na cerimônia programada para dezembro. Ontem, ela chegou a ser presa para não falar com jornalistas.

Em Oslo, o comitê do prêmio explicou que os US$ 1,5 milhão e o certificado serão guardados, esperando um dia ser entregue a um dos dois. O Nobel diz que não é a primeira vez que isso ocorre. Em 1991, o prêmio foi dado a Aung San Suu Kyu, líder opositora que defende a volta da democracia em Mianmar. O governo local não a autorizou a deixar o país para receber o prêmio e até hoje está guardado. Ela, porém, não estava em uma prisão. Cumpria pena em sua casa.

O dissidente russo, Andrei Sakharov, venceu o prêmio em 1975 por sua campanha contra a proliferação nuclear. Mas não foi autorizado a sair da União Soviética. Sua mulher recebeu o prêmio em seu nome. Em 1983, o polonês Lech Walesa também não pode viajar. Sua mulher, Danuta, recebeu o prêmio em seu nome.

Saia justa. Se a entrega promete ser uma polêmica, a reação de diferentes governos mostrou a influência da China. De olho em um segundo mandato, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, usou sua ambiguidade diplomática para não criticar Pequim. Sua declaração foi avaliada como o maior reflexo do poder da China dentro das ONU hoje.

Nos últimos dias, Pequim se mobilizou na ONU, alertando que uma comemoração por parte de capitais seria "condenada" pela China. Ban seguiu a recomendação à risca e nem mesmo pediu sua liberação. A Comissão Europeia e vários outros governos seguiram a mesma direção, apenas felicitando o dissidente, mas sem apelar para que seja solto. Nem Herman Van Rompuy, presidente do Conselho Europeu, nem a chefe da diplomacia da UE, Catherine Ashton, emitiram comunicados. A Rússia, acusada de violar direitos humanos, também não reagiu.

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