Noboa e Correa antecipam guerra eleitoral no Equador

O multimilionário Álvaro Noboa e o esquerdista Rafael Correa, que vão disputar o segundo turno das eleições para a Presidência do Equador, já começaram uma ´guerra´ que antecipa uma campanha hostil até a votação de 26 de novembro. A campanha oficialmente começa dia 6 de novembro. Mas os dois já retomaram os atos públicos para agradecer ao povo pelos votos recebidos dia 15 de outubro. Noboa, com 26,63%, e Correa, com 22,9%, faltando menos de 6% para o fim da apuração preliminar do Tribunal Supremo Eleitoral (TSE),são os dois finalistas na disputa pela Presidência do país. O multimilionário atacou Correa na noite de quinta-feira, durante um comício de agradecimento na cidade de Guayaquil, onde também lembrou sua oferta de construir 300 mil casas por ano e gerar, com isso, 3 milhões de empregos. Noboa baseou seu compromisso de construir mil casas por dia em promessas de vários amigos seus, também multimilionários, de investir "trilhões" no Equador. Eles, disse Noboa, "estão muito contentes porque seu amigo pode vencer" o segundo turno e chegar à Presidência do país. O magnata, considerado um dos homens mais ricos do país, disse que seu adversário é um "fracassado que se uniu a outros políticos do mesmo naipe". Correa recebeu o apoio de partidos políticos cujoscandidatos não chegaram ao segundo turno. Noboa disse que não se unirá a nenhum outro partido político para o segundo turno, lembrando que começou a disputa sem alianças e garantindo que, sozinho, vencerá novamente. O esquerdista, que já anunciou uma campanha "de confronto", respondeu que o multimilionário deve sua fortuna à herança que recebeu de seu pai e não ao trabalho diário. O problema de Noboa, disse Correa, é que "herdou mais talões decheques do que neurônios". O esquerdista afirmou que o apoio queobteve de outros grupos políticos não significa um pacto para distribuir cargos. Correa agradeceu pelo apoio dos social-democratas da EsquerdaDemocrática, mas disse que toda ajuda no segundo turno será incondicional. "O povo vencerá o dinheiro", acrescentou o esquerdista. Correa também começou a fazer mudanças em sua estratégia de campanha, sobretudo em temas difíceis como sua relação com opresidente venezuelano, Hugo Chávez. Mesmo admitindo sua amizade com o governante venezuelano, enfatizou que não permitirá a ingerência de ninguém, nem de Cháveznem do presidente americano, George W. Bush, no seu governo. Além disso, denunciou ter sido vítima de uma "campanha suja", que se aproveitou de detalhes como a sua resistência a considerar as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) um grupo terrorista. "Fazer isso significaria aderir ao Plano Colômbia. O que fiz foi manter a linha do país e de toda América Latina, ao considerar as Farc como um grupo guerrilheiro", explicou Correa. O Plano Colômbia foi iniciado em 2000 com o patrocínio dos EUA e seu objetivo inicial era o combate ao narcotráfico e à guerrilha rural.

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