Sabah via AP
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Noiva de jornalista saudita morto afirma que ele estava preocupado com possível tensão no consulado

Jamal Khashoggi comentou sobre a possibilidade de entrar em contato com autoridades turcas caso algum problema ocorresse em visita ao consulado saudita em Istambul

O Estado de S.Paulo

26 de outubro de 2018 | 12h57

ISTAMBUL - Hatice Cengiz, a noiva do jornalista saudita assassinado Jamal Khashoggi, afirmou que ele já havia comentado sobre a necessidade de entrar em contato com autoridades turcas caso algum problema ocorresse com ele. Segundo ela, Khashoggi pensou que não seria interrogado ou preso na Turquia, embora estivesse preocupado com possíveis tensões quando fosse ao consulado saudita em Istambul.

Em entrevista à emissora turca Haberturk, Hatice disse que Khashoggi não queria ir ao consulado saudita, onde entrou no dia 2 de outubro para obter documentos para o casamento. Ela explicou que o noivo já havia comentado para ela contatar Yasin Aktay, um conselheiro do presidente da Turquia, se fosse necessário. Hatice acrescentou que ele não voltou a falar disso especificamente no dia 2.

A noiva do jornalista contou que ficou esperando do lado de fora do consulado, mas o noivo nunca saiu. "Eu comecei a tremer quando percebi que algo tinha acontecido com ele", contou. "De repente, imenso medo tomou conta de mim". Então ela entrou em contato com Aktay e pediu ajuda.

Na quinta-feira 25, Salah, filho do jornalista assassinado, abandonou a Arábia Saudita com a família e chegou aos Estados Unidos, segundo o canal de TV CNN.

Nesta sexta-feira, 26, o presidente Recep Tayyip Erdogan afirmou que tem mais provas sobre o crime. No domingo, o procurador-geral da Arábia Saudita, Saud bin Abdallah al-Muajb, viajará para Istambul para investigar o assassinato. Na quinta, o procurador havia chamado o caráter do homicídio como “premeditado”.

“No domingo, eles (os sauditas) enviarão o procurador-geral à Turquia. Ele se reunirá com nosso procurador-geral da República em Istambul (Irfan Fidan)”, declarou Erdogan durante um discurso em Ancara. Além disso, ele garante que há “outros elementos” de prova sobre o assassinato, mas não quer se apressar. “A precipitação não serve para nada”, disse.

Erdogan criticou a reação da Arábia Saudita ao assassinato. Na versão inicial de Riad sobre o caso, o jornalista havia saído vivo do consulado; depois, a versão era de que ele havia sido morto em uma briga. Em uma terceira versão, foi dito que se tratou de uma operação “não autorizada” da qual o príncipe herdeiro Mohamed bin Salman “não havia sido informado”. “Estas declarações eram realmente ridículas e incompatíveis com a seriedade de um Estado”, afirmou o presidente turco. Na quarta-feira 24, o príncipe saudita caracterizou o homicídio como “incidente repulsivo” e “doloroso”.

Repercussão.

Foram detidos 18 suspeitos sauditas, bem como funcionários do alto escalão do serviço de inteligência, em relação ao caso, que teve repercussão internacional e abalou a imagem do reino, maior exportador mundial de petróleo. 

Após visita à Turquia, a diretora da CIA, Gina Haspel, apresentou na quinta-feira 25 ao presidente Donald Trump as conclusões e análises do crime depois de encontros com autoridades turcas. Segundo a imprensa local, Istambul compartilhou com Gina as gravações de áudio e vídeo de Khashoggi.

A relatora especial da ONU sobre execuções extrajudiciais, sumárias e arbitrárias, Agnès Callamard, afirmou na quinta-feira 25 que o assassinato “tem todo o aspecto de uma execução extrajudicial e corresponde ao reino da Arábia Saudita demonstrar que isso não aconteceu”.

O governo russo afirmou nesta sexta que é preciso confiar na família real saudita. "Há uma declaração oficial do rei, há uma declaração oficial do príncipe herdeiro e ninguém tem razões para não acreditar", afirmou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov. / REUTERS e AFP

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