Nome de Mubarak terá de ser retirado de locais públicos

AE, Agência Estado

21 de abril de 2011 | 15h23

Policial egípcio guarda biblioteca no Cairo; na placa, nome de Mubarak foi retirado

 

CAIRO - Um tribunal do Egito ordenou nesta quinta-feira, 21, que os nomes do presidente deposto, Hosni Mubarak, e sua esposa, Suzanne, sejam removidos de todas as instalações e instituições públicas. Esse é o mais recente passo para desmantelar o legado do ex-líder, que ficou 29 anos no poder.

 

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Existem centenas, talvez milhares de escolas, ruas, quadras e bibliotecas que carregam o nome de Mubarak ou sua esposa, além de uma estação de metrô no centro do Cairo. Agora todos esses sinais terão de ser apagados, em um novo golpe para Mubarak.

 

O ex-presidente renunciou em 11 de fevereiro e desde a semana passada está detido em um hospital para investigações sobre acusações de corrupção e de assassinatos de manifestantes contrários ao seu governo.

 

Na última terça-feira um levantamento feito por uma comissão de investigação do governo apurou que o número de mortos durante os protestos no começo do ano foi pelo menos duas vezes maior que o divulgado logo após a saída de Mubarak do poder. Segundo o documento, pelo menos 846 pessoas morreram durante os protestos, que duraram 18 dias. Pela contagem oficial anterior, 365 pessoas teriam sido mortas.

 

A esposa de Mubarak, Suzanne, deverá ser questionada sobre acusações de acúmulo ilegal de riqueza. Os dois filhos do casal, Gamal e Alaa, estão detidos no Cairo e deverão também ser interrogados.

 

Ao anunciar a decisão hoje, o juiz Mohammed Hassan Omar afirmou que "pessoas esconderam a jornada de corrupção de Mubarak". "Ficou claro que o tamanho da corrupção que tem sido encoberta a cada dia excede a imaginação de qualquer um". O ministro dos Transportes do Egito, Atef Abdel-Hameed, afirmou a jornalistas que vai agir rapidamente para remover o nome de Mubarak das instalações do ministério, incluindo a estação de metrô do Cairo.

 

Quando foi forçado a renunciar, há dois meses, Mubarak havia servido durante cinco mandatos, em um governo que administrava como se fosse sua propriedade, dando a vários projetos o seu próprio nome. Suzanne era bastante envolvida nos projetos do marido e tinha influência nos bastidores. Foi ela quem liderou os esforços para que seu filho Gamal sucedesse o pai, o que foi um dos motivos para as manifestações que levaram à deposição de Mubarak.

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