Nomeação de britânicos críticos de Bush gera receios nos EUA

Com escolhas, Brown marca distância de Blair, aliado incondicional do americano

Agencia Estado

02 Julho 2007 | 09h54

A nomeação de críticos da administração de Washington e da guerra no Iraque para altos cargos no governo britânico gerou certa "inquietação" no Pentágono e na Casa Branca. O jornal inglês The Times cita uma fonte do Pentágono, segundo a qual apesar de Brown sempre ter defendido a relação de Londres com Washington, enviou "sinais contraditórios" ao mesmo tempo com as primeiras nomeações. Segundo a fonte, o mal-estar foi gerado pela designação para um alto cargo do Ministério do Exterior do Lorde Mark Malloch Brown, ex-secretário-geral adjunto da ONU e crítico da atitude de Washington sobre o multilateralismo. Malloch Brown, nomeado secretário de Estado para a África, Ásia e a ONU, criticou antes o governo de George W. Bush por não fazer nada para evitar que os meios de comunicação americanos se dedicassem a atacar a ONU "à base de estereótipos". O então embaixador americano na organização, o "falcão" John Bolton, exigiu que ele se desculpasse, o que não aconteceu. Na semana passada, Malloch Brown declarou em discurso em Londres que em muitos países a ONU já não era percebida como neutra, mas como uma organização que servia aos interesses ocidentais. No discurso, o diplomata britânico criticou a guerra no Iraque, afirmando que ela despedaçara a causa das intervenções humanitárias. Bolton, com quem Malloch Brown se chocou mais de uma vez na ONU, se referiu à nomeação como uma estréia "pouco encorajadora". Segundo o Times, os EUA também expressaram mal-estar através de canais diplomáticos por um discurso pronunciado em Washington pela então ministra de Assuntos Exteriores britânica, Margaret Beckett, criticando "a sensação de estagnação" nos esforços internacionais de desarmamento. No discurso, autorizado explicitamente por Brown, Beckett instou a Washington a ratificar o tratado internacional para a total proibição dos testes nucleares, o que Bush negou sistematicamente. A Casa Branca também tem receio da nomeação de John Denham, que renunciou do gabinete anterior em protesto contra a guerra no Iraque, e da escolha de Harriet Harman como líder adjunta do Partido Trabalhista. Ela insinuou que seu partido devia se desculpar pela guerra, embora depois tenha retificado o comentário. Com as nomeações, o novo primeiro-ministro, que aprovou a polêmica decisão de invadir o Iraque na época, marcou distância de seu antecessor, Tony Blair, aliado incondicional de Bush.

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