Nomeação de hispânica para Suprema Corte é teste para republicanos

Rush Limbaugh chamou-a de "racista ao inverso". Para a organização conservadora Judicial Confirmation Network, ela desenvolveu uma "agenda política pessoal" e deve ser impedida de assumir um cargo na Suprema Corte. Mas, por baixo dessa linguagem bombástica, o fato é que a indicação de Sonia Sotomayor para a Suprema Corte provocou uma reação surpreendente: os senadores republicanos que, na verdade, votarão nela não estão seguindo as ideias dos ativistas.Em vez disso, eles estão buscando se inspirar nas vozes moderadas do partido, que alertaram que se opor à indicação da primeira hispânica para a Suprema Corte equivale a um suicídio político. Além disso, alguns estrategistas do partido também alertaram os senadores de que atacar Sonia é desperdiçar uma oportunidade de mostrar que os republicanos acolhem muito bem seus eleitores hispânicos, uma vez que muitos deles se afastaram do partido por causa do seu apoio às normas mais rígidas para a imigração e de sua posição radicalmente contrária à legalização de trabalhadores ilegais. "Muitos republicanos estão preocupados de que isso (contestar a indicação de Sonia) poderá ser a gota d?água no que se refere à capacidade do partido de chegar à comunidade hispânica", disse Robert de Posada, estrategista hispânico do Partido Republicano.Lionel Sosa, que faz o marketing do partido e traçou a estratégia para atrair eleitores hispânicos para os presidentes Ronald Reagan e George W. Bush, disse que se opor à nomeação de Sonia "será mais um passo na destruição da imagem dos republicanos para os eleitores latinos". O desafio que a juíza recém-nomeada representa para o Partido Republicano é o exemplo mais recente da luta interna da agremiação para se reinventar num momento em que sua base eleitoral é dominada cada vez mais por conservadores brancos do sul do país.Há apenas cinco anos, Bush foi reeleito, conquistando uma grande margem de votos hispânicos - mais de 40%. Mas os conservadores bloquearam seus esforços para legalizar milhões de trabalhadores sem documento. Além do que a áspera retórica do debate afugentou os eleitores hispânicos do partido.

The Los Angeles Times, O Estadao de S.Paulo

28 de maio de 2009 | 00h00

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