Nomeação de presidente põe Merkel na defensiva

Chanceler não apoiava nome de Joachim Gauck para chefe de Estado, mas teve de recuar diante do risco de ver sua coalizão no Parlamento se romper

RENATA MIRANDA , ENVIADA ESPECIAL / BERLIM, O Estado de S.Paulo

18 de março de 2012 | 03h08

A Assembleia Federal da Alemanha deve nomear hoje Joachim Gauck como o novo presidente do país. Apesar de a presidência ter um papel mais simbólico no cenário político alemão, a escolha de Gauck é um teste para a chanceler Angela Merkel, que foi obrigada a apoiar sua candidatura para tentar evitar uma divisão em sua coalizão de governo.

Nas eleições presidenciais de 2010, Merkel foi contra o nome de Gauck para o cargo, e decidiu apoiar Christian Wulff, integrante da União Democrata-Cristã (CDU) - mesmo partido da chanceler. Wulff foi eleito após três rodadas de votação indireta, mas teve de renunciar no fim de fevereiro, depois de ficar sob pressão após acusações de que teria recebido favores de empresários enquanto era governador do Estado da Baixa Saxônia.

Depois da saída de Wulff, a tensão política começou a ganhar força dentro da coalizão de Merkel, quando o parceiro menor da aliança, o Partido Liberal-Democrata (FDP), recusou-se a apoiar qualquer dos candidatos conservadores apresentados pela CDU. O FDP preferiu apoiar Gauck, candidato pela principal força opositora, o Partido Social Democrata (SPD), e também pelo Partido Verde. Percebendo que não teria como convencer seus aliados a apoiar outro nome e temendo uma cisão na coalizão, a chanceler aceitou Gauck.

"Merkel tentou assim prevenir uma severa crise dentro de sua coalizão", explicou ao Estado o cientista político Gero Neugebauer, da Universidade Livre de Berlim. De acordo com o especialista, a decisão do FDP foi para enfraquecer Merkel e mostrar que a legenda tem força própria. "A chanceler mostrou que consegue tomar decisões repentinas e inesperadas para garantir seu poder político."

Neugebauer acredita que a tensão criada com esse episódio deve levar a aliança entre a CDU e o FDP a uma atmosfera mais "congelada". "A desconfiança entre ambos os lados deve crescer", afirmou. "A coalizão está em mau estado e já está, há algum tempo, à beira de um desastre."

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