Nomes da Venezuela pós-Chávez sairão de eleição regional

Cenário: Rodrigo Cavalheiro

O Estado de S.Paulo

13 de dezembro de 2012 | 02h00

A eleição de 23 governadores, marcada para domingo, ganhou peso com a ausência do presidente Hugo Chávez. Desde que o próprio líder bolivariano admitiu no sábado, pela primeira vez, a hipótese de o câncer pélvico descoberto em junho do ano passado afastá-lo do poder, os venezuelanos avessos ao chamado socialismo do século 21 questionam se a oposição, finalmente, pode ameaçar os 14 anos de governo chavista, em uma disputa contra o chanceler e vice-presidente Nicolás Maduro.

De acordo com o diretor do instituto de pesquisa Datanális, Luís Vicente León, não foram feitas pesquisas colocando o chanceler como o representante bolivariano depois do anúncio de Chávez. "Não há números, mas posso garantir que qualquer candidato sucessor não teria a votação que o presidente obteve", diz León.

Em outubro, Chávez obteve 54% dos votos, contra 44% de Henrique Capriles, o governador de Miranda, Estado em que a eleição é acompanhada com mais atenção. "Se Capriles perder a regional, ficará muito difícil manter seu nome como representante da oposição", avalia o cientista político Omar Noria.

Miranda tradicionalmente não é um dos Estados mais ambicionados pelos grupos políticos do país, segundo Noria. Não há eleição para governador para os moradores do centro de Caracas - onde só há eleições municipais, marcadas para abril. Por isso, os Estados mais cobiçados são aqueles localizados na fronteira com a Colômbia e com o Brasil. Por ali, aponta o especialista, passam o tráfico de drogas e a lavagem de dinheiro que alimentam a máquina de corrupção estatal.

Desta vez, Miranda e seus 3 milhões de habitantes ganharam importância pelos nomes envolvidos na disputa - Capriles enfrenta Elías Jaua, ex-vice-presidente venezuelano. Hoje, os dois candidatos fazem os comícios de encerramento da campanha na capital do Estado, Los Teques, sob tensão. A equipe do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), do presidente Chávez, usou a TV estatal para reclamar que a campanha de Capriles marcara o comício no mesmo horário e ameaçou: "Não nos responsabilizamos pelo que possa ocorrer".

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